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quinta-feira, 05/03/2026




Madrasta pega 49 anos por envenenar filha do marido e tentar matar o enteado no Rio

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ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS

A Justiça do Rio de Janeiro sentenciou a madrasta Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, por envenenar os dois filhos do seu companheiro em 2022, na zona oeste da cidade.

Ela foi considerada culpada pelo assassinato da jovem Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, que faleceu após ingerir veneno misturado na comida, e pela tentativa de homicídio do irmão dela, Bruno Carvalho Cabral, que sobreviveu após receber atendimento médico.

A defesa anunciou que pretende recorrer. O advogado Carlos Augusto Santos afirmou que o júri baseou sua decisão em “provas contrárias aos autos”.

O julgamento ocorreu entre quarta-feira (4) e madrugada de quinta-feira (5), com duração de cerca de 16 horas. Os jurados levaram menos de meia hora para decidir o veredito.

A juíza Tula Corrêa de Mello presidiu o júri e fixou pena de 30 anos pelo assassinato de Fernanda e 19 anos, 6 meses e 20 dias pela tentativa contra Bruno.

O júri reconheceu as agravantes de uso de veneno e motivo fútil.

A magistrada declarou que o crime foi planejado, causando grande dor à família das vítimas, e que a ré agiu com premeditação ao envenenar a enteada.

Segundo o Ministério Público, a motivação estaria ligada ao ciúme da ré em relação à ligação do companheiro, Adeilson Jarbas Cabral, com os filhos.

A defesa contestou a suficiência das provas periciais e questionou exames, incluindo a exumação do corpo de Fernanda, feita dois meses após o enterro.

A acusação trouxe laudos que indicaram a presença de substâncias de raticida conhecido como “chumbinho” nos exames das intoxicações.

Cíntia está presa desde julho de 2022 e não terá direito a recorrer em liberdade.

Bruno, que tinha 16 anos na época, foi o primeiro a depor. Ele relatou ter sentido algo estranho no almoço servido pela madrasta, percebendo um gosto diferente e pontos azuis na comida.

Após comer, ele passou mal com sintomas incluindo dificuldade para falar, sudorese intensa e problemas na visão, sendo levado ao hospital para lavagem estomacal.

Ao despertar, suspeitou que o incidente estivesse relacionado à morte da irmã.

O pai das vítimas mencionou que havia conflitos frequentes entre a madrasta e os filhos, tendo começado a desconfiar após o envenenamento do filho.

Filhos biológicos da ré, Lucas e Carla Mariano Rodrigues, também prestaram depoimento dizendo que a mãe confessou o envenenamento dos enteados.

A mãe das vítimas, Jane Cabral, contou que passou a suspeitar de Cíntia após a morte da filha e relatou que a ré oferecia comida a Fernanda no hospital durante a internação.

Relembre o Caso

O primeiro episódio ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda passou mal após jantar na casa do pai. Ela ficou internada por quase duas semanas e morreu em 27 de março, inicialmente a causa da morte foi considerada natural.

Dois meses depois, Bruno também adoeceu após almoçar na mesma casa, mas recebeu atendimento rápido e sobreviveu.

Exames identificaram presença de raticida em Bruno, reforçando a conexão entre os dois casos.

Cíntia Mariano foi presa em julho de 2022.

O julgamento começou em outubro, mas foi interrompido devido à falta de acesso da defesa a documentos, sendo remarcado pelo Tribunal de Justiça do Rio.




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