Leandro Grass, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), destacou em entrevista as mudanças feitas durante sua gestão para adaptar a preservação do patrimônio histórico às mudanças climáticas.
Segundo ele, preservar a história não é incompatível com o uso de novas tecnologias para enfrentar a crise climática. Em parceria com várias prefeituras, foi feito um trabalho para aumentar a resistência das cidades às mudanças do clima.
O Iphan também atualizou regras para permitir que prédios históricos possam usar placas solares em locais específicos. Em Diamantina, Minas Gerais, por exemplo, foi autorizado o uso de energia renovável em áreas históricas, com materiais adequados para essas construções.
Márcio Tavares dos Santos, secretário-executivo do Ministério da Cultura, participou da coletiva e afirmou que, desde as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, a defesa do patrimônio histórico passou a ser considerada um setor importante na resposta a desastres naturais e na alocação de recursos para recuperação.
O projeto “Conviver” foi citado como um esforço para educar e financiar pessoas de baixa renda que vivem em áreas tombadas, ajudando na boa administração desses patrimônios.
Entre 2023 e 2026, o Iphan reconheceu oficialmente 37 patrimônios, mais da metade dos 71 reconhecidos nos últimos dez anos. Embora a gestão de Leandro Grass tenha começado em 2023, ano em que nenhum patrimônio foi registrado, foi destacada a reorganização interna necessária para fortalecer o órgão.
Grass comentou sobre a recuperação de objetos danificados durante atos de vandalismo em janeiro de 2023, incluindo obras importantes no centro de Brasília, com recursos públicos e privados.
Sobre Brasília, ele destacou que o Iphan tem um papel fundamental, pois a cidade é a maior área protegida do mundo. O trabalho foi além do Plano Piloto, envolvendo escolas públicas e incentivando as crianças a identificarem o patrimônio cultural em suas comunidades.
Para ele, Brasília representa o Brasil e precisa ser um exemplo na preservação do patrimônio, com uma atuação que se aproxima mais das pessoas.
Leandro Grass enfatizou que sua gestão deixou o Iphan aberto ao diálogo com a sociedade, prefeitos e governadores, independentemente de suas diferenças políticas, seguindo a orientação do presidente Lula para conversar com todos. Segundo ele, essa experiência foi muito importante e mostra que todo governante precisa ter espírito público para realizar um bom trabalho.
