FERNANDA BRIGATTI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O grupo J&F, comandado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, informou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que a aquisição da Avibras Aeroco é uma forma de participar dos setores de defesa e aeroespacial do Brasil. A empresa destaca que essa operação vai fortalecer e reorganizar essas áreas no país.
No documento enviado ao órgão responsável, a empresa solicitou que a análise da compra seja feita pelo rito sumário, um processo mais rápido e simplificado.
O grupo afirma que a operação é simples e não causará problemas de concorrência, pois não há sobreposição de atividades entre as empresas envolvidas.
De acordo com os advogados do grupo e da Avibras, nenhuma empresa do J&F possui participação igual ou maior que 10% no capital de empresas relacionadas ao mercado aeroespacial ou de defesa que sejam alvo da compra.
A compra será realizada pela Globe Investimentos, o family office dos irmãos Batista, que é separado do conglomerado J&F, que inclui empresas como a JBS, Âmbar Energia, Eldorado Papel e Celulose e o banco Original.
Apesar disso, no pedido ao Cade, a J&F é mencionada junto com outras operações de aquisição feitas pela empresa nos últimos cinco anos, além das suas demonstrações financeiras recentes.
Segundo o processo, os principais interesses dos irmãos Batista na Avibras são as soluções de defesa, como o sistema de artilharia Astros, além de mísseis, foguetes, veículos espaciais e equipamentos para o setor espacial civil, como propulsores e foguetes de treinamento.
A Avibras passou por dificuldades financeiras, entrando em recuperação judicial em março de 2022 e ficando cerca de três anos parada após uma greve por falta de pagamento.
A Avibras Aeroco foi criada em outubro de 2025 para assumir os ativos estratégicos e o portfólio tecnológico da Avibras Indústria Aeroespacial, que segue em recuperação judicial. Em 2025, a empresa não teve faturamento.
Em maio deste ano, a empresa voltou a funcionar após captar R$ 300 milhões com investidores brasileiros, incluindo Joesley Batista, para retomar a produção de mísseis.
O family office dos irmãos explicou que eles têm experiência em recuperar e transformar empresas com grande potencial que estão passando por dificuldades.
Antes da paralisação, a Avibras tinha como clientes países como Arábia Saudita, Catar, Indonésia e Malásia e, no passado, forneceu equipamentos para os conflitos entre Irã e Iraque e a Guerra do Golfo, nas décadas de 1980 e 1990.
A empresa é privada e considerada estratégica pelo governo. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da Avibras em Jacareí (SP), dois meses após a retomada das atividades.
Nesse evento, Lula defendeu mais investimentos nas Forças Armadas brasileiras para garantir a soberania do país, afirmando: “Eu quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas, com soldados suficientes para cuidar do nosso país”.
