CRISTIANE GERCINA
FOLHAPRESS
A maioria dos trabalhadores do Banco do Brasil aceitou a proposta final do banco e decidiu encerrar a greve parcial iniciada na última quinta-feira (10). Entre os benefícios do acordo estão o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) em até 72 horas após a assinatura e a compensação pelo dia 20 de agosto, quando houve paralisação.
Também houve avanços importantes no plano de saúde, que era um dos maiores desafios nas negociações, além da garantia de um pagamento de R$ 3.000 como reconhecimento financeiro e a ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias.
Por outro lado, os funcionários da Caixa Econômica Federal continuam em greve nacional, mantendo as agências fechadas, e vão decidir até as 23h desta sexta-feira (11) se aceitam a proposta da instituição.
A Caixa informou que pode recorrer à Justiça com pedido de dissídio coletivo se o acordo não for aceito. O banco público disse ter avançado principalmente na questão do convênio médico, o maior ponto de conflito. Também os funcionários dos Correios iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado devido a questões relacionadas ao plano de saúde.
De acordo com a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT), o acordo com o Banco do Brasil foi aprovado em 116 bases sindicais, incluindo cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Porto Alegre, Mato Grosso, Florianópolis, Alagoas, ABC, Rondônia, Sergipe e Campinas. Apenas 18 entidades ainda rejeitam a proposta.
Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (Cebb), destacou a importância do processo, ressaltando o engajamento e a participação dos trabalhadores. Com a aprovação, o acordo coletivo de trabalho será assinado em breve.
No Banco do Brasil, além do pagamento imediato da PLR, os funcionários receberão R$ 3.000, condicionado aos resultados do último trimestre de 2026, com previsão para fevereiro de 2027. O banco também adiantará R$ 360 milhões da contribuição patronal para o Plano de Associados da Cassi e priorizará contratações para o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).
Outro destaque do acordo é o aumento do salário de referência da central de relacionamento, que passará de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027. A greve no Banco do Brasil foi parcial e atingiu alguns estados, com o funcionamento normal em São Paulo.
Segundo a Contraf-CUT, em assembleias realizadas na semana passada, 39 sindicatos aprovaram a renovação do acordo coletivo, incluindo os de São Paulo, Curitiba e Niterói (RJ). Sessenta sindicatos optaram por retomar as negociações, e 27 decidiram pela greve na última quinta-feira.
Houve também a ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias e aumento do auxílio para filhos com deficiência.
Greve na Caixa Econômica Federal
Na Caixa, o banco mantém a proposta atual até esta sexta-feira (11). Os principais pontos incluem o pagamento de um prêmio de R$ 3.000 por funcionário, o pagamento da PLR no dia 18 e o aumento do teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%.
O plano de saúde prevê que os bancários paguem uma contribuição que varia de 2,30% a 4,10% sobre o salário-base, dependendo da idade, além de valores entre R$ 480 e R$ 660 por dependente.
Neiva Ribeiro, presidente do sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, afirmou que a Caixa modificou a proposta devido à forte insatisfação dos empregados e à mobilização da categoria.
Clientes que tentaram atendimento presencial em agências da Caixa em São Paulo e no Paraná encontraram as portas fechadas, com apenas os caixas eletrônicos funcionando.
Os bancos privados já fecharam acordo, que prevê reajuste salarial de 0,6% acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
Principais pontos da proposta final da Caixa (válida até 11/9)
- Prêmio de R$ 3.000 para cada empregado
- Pagamento do salário reajustado, PLR, Super Caixa e prêmio no dia 18 de setembro
- Aumento do teto para o custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%
- Antecipação de parcelas da 13ª mensalidade dos anos 2028, 2029 e 2030 para ajudar na cobertura do déficit do Saúde Caixa
- Pagamento do PAMS (Programa de Assistência Médico-Supletiva) a partir de 2027
- Investimento de R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027
- Formação de grupos de trabalho para melhorar a eficiência do plano e propor um modelo que destine parte do lucro relacionado à produtividade ao Saúde Caixa
Proposta para o plano de saúde Saúde Caixa (válida até 11/9)
- Aumento da taxa para consulta em pronto-socorro de R$ 75 para R$ 150 (fora do teto)
- Isenção de coparticipação para telemedicina
- Período de 90 dias para adesão para quem está fora do plano
- Impossibilidade de reingresso após cancelamento da adesão
- Teto de coparticipação anual para grupo familiar passando de R$ 3.600 para R$ 4.800
- Recadastramento anual obrigatório
- Teto de 9% por grupo familiar
- Dependentes indiretos fora do teto
- Piso de coparticipação de R$ 50 por beneficiário
- Pagamentos correspondentes a 13 mensalidades
