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Economia

IPCA registra queda e maior deflação em 4 anos

foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma queda de 0,32% em agosto, após um leve aumento de 0,07% em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação acumulada no ano atingiu 3,11%, com o índice acumulado nos últimos 12 meses ficando em 4,22% até agosto, abaixo do limite máximo da meta de 4,5%. Em julho, esse índice foi de 4,44%. A meta oficial de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e seguida pelo Banco Central, é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

A deflação observada em agosto foi a mais intensa desde agosto de 2022, quando houve uma queda de 0,36%, de acordo com o IBGE. Fernando Gonçalves, responsável pela pesquisa, destacou que essa taxa é a menor desde aquela data, tanto para o mês quanto no histórico geral.

Conta de luz

A principal causa da redução do IPCA em agosto foi a queda de 7,63% no preço da energia elétrica, o maior recuo desde a implementação do Plano Real. Essa diminuição ocorreu devido ao Bônus de Itaipu, um crédito relacionado à comercialização de energia da usina hidrelétrica, que resultou em descontos nas contas de energia emitidas no mês.

A energia elétrica sozinha teve um impacto de -0,33 ponto percentual na variação do IPCA em agosto. Sem essa redução, o índice praticamente não teria mudado, aumentando apenas 0,01%. O grupo de Habitação, que inclui a energia elétrica, teve uma queda de 1,87%, o menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real. Contudo, esse alívio é temporário e a inflação pode aumentar novamente em setembro, devido a reajustes em água, esgoto, gás e continuidade da bandeira amarela na conta de luz, conforme o IBGE.

Além da energia elétrica, outros três dos nove grupos pesquisados também registraram deflação em agosto: Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%).

Fernando Gonçalves comentou que, excluindo o grupo de Alimentação, o IPCA teria alta de 0,11% em agosto. Alimentação, que tem o maior peso no índice, contribuiu negativamente com 0,07 ponto percentual.

Dentre os alimentos, as maiores quedas de preço foram observadas em batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%).

Taxa Selic. Embora a queda no IPCA seja temporária, ela deixa espaço para um possível novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo a consultoria Capital Economics.

Essa consultoria acredita que, apesar do aumento recente no preço do petróleo, os dados mais recentes indicando inflação menor e a desaceleração econômica justificam a redução da Selic de 14% para 13,75%. Eles preveem que a inflação possa voltar a subir futuramente, fazendo com que o Banco Central adote uma postura mais cautelosa e possivelmente pause os cortes em novembro e dezembro.

O banco Bradesco destacou que a queda do IPCA em agosto foi maior do que o esperado, devido à desaceleração dos núcleos da inflação. Contudo, o banco ressalta que a inflação deve voltar a subir nos próximos meses, principalmente alimentada pelo aumento dos preços dos alimentos, mantendo a projeção de alta de 5% para 2026.

Estadão Conteúdo

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