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Economia

holding do banco master em cayman reúne credores com dívida bilionária

Foto: Banco Master/ Divulgação

ALEXA SALOMÃO
FOLHAPRESS

A consultoria Grant Thornton, responsável pela liquidação judicial da Titan Capital Holding, ligada ao Banco Master nas Ilhas Cayman, realizou sua primeira reunião com os credores nesta quarta-feira (9). Os principais temas foram a criação de um comitê de credores e a apresentação do relatório inicial, que revelou informações preocupantes.

Até o momento, cinco credores apresentaram dívidas que totalizam US$ 1,064 bilhão (cerca de R$ 5,43 bilhões), ainda sob análise. No entanto, o liquidante afirmou que não há recursos financeiros disponíveis nas Ilhas Cayman.

Os ativos da Titan estão principalmente ligados a participações em subsidiárias no Brasil e fundos de investimento associados ao Banco Master.

A Grant Thornton está considerando abrir uma ação de falência transfronteiriça nos Estados Unidos, conforme o Chapter 15 da lei americana, para proteger os ativos e obter documentos que estejam em posse de instituições nos EUA.

Advogados foram contratados em Cayman, EUA e Brasil para notificar mais de 70 partes envolvidas, incluindo bancos e executivos, e solicitaram documentos financeiros, muitos dos quais ainda não foram entregues.

Os custos do processo, que já somam US$ 572,8 mil (R$ 2,9 milhões) em honorários da Grant Thornton e US$ 89 mil (R$ 454 mil) em advogados externos, não estão sendo cobertos devido à falta de recursos. O liquidante está buscando financiamento e convida credores interessados a contribuir.

CONEXÕES NO BRASIL

A Titan tem como único acionista Daniel Vorcaro, controlador do Master. Os diretores registrados são Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull, ex-executivos do banco no Brasil, ambos envolvidos em processos criminais e com bens bloqueados.

A Titan é registrada no Brasil com CNPJ ativo, originalmente sob o nome Master Holding – Sefer Investimentos, empresa ligada ao operador financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Investigações da Polícia Federal e do Coaf indicam que a Sefer teria sido usada para transferências suspeitas relacionadas à Titan.

Mineiro fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, aguardando homologação do STF.

A liquidante brasileira do Banco Master revelou que a Titan teria recebido mais de R$ 700 milhões da instituição financeira antes da liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro de 2025, indicando um possível esvaziamento patrimonial.

Grant Thornton e a liquidante brasileira estão trabalhando juntas para recuperar documentos e evitar custos e processos judiciais duplicados nas duas jurisdições.

O liquidante do Banco Master já foi reconhecido oficialmente como representante estrangeiro em Cayman, e a expectativa é que ele apresente reivindicações financeiras contra a Titan em nome da massa falida, embora isso ainda não tenha ocorrido.

A Grant Thornton avalia o impacto jurídico dessa decisão para coordenar as duas liquidações em Cayman.

TETHER CAUSA LIQUIDAÇÃO

Entre os credores está a Tether Investments, braço da Tether, empresa de criptomoedas que emitiu uma linha de crédito de US$ 300 milhões para a Titan, garantida por empréstimos consignados ligados ao Master.

Com o rebaixamento do banco e sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central, a Tether antecipou o vencimento da dívida. A Titan contestou na Corte de Arbitragem de Londres, onde a Tether obteve decisões favoráveis.

Sem pagamento, a Tether solicitou a liquidação judicial da Titan em Cayman, buscando o pagamento de US$ 326,2 milhões, além de custos legais.

Antes da ordem de liquidação, a Titan enfrentava extinção administrativa pelo governo de Cayman, mas a Grant Thornton regularizou sua situação para permitir o processo.

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