O Ministério das Relações Exteriores da Grécia solicitou o retorno da embaixadora Eleni Lianidou, enviada ao Brasil em janeiro, após relatos de assédio moral e profissional contra ela. A convocação ocorreu após manifestações de insatisfação dos colaboradores da embaixada, que relataram comportamento controlador, preconceituoso e mudanças não comunicadas nas funções e horários.
Em junho, depois de pouco mais de cinco meses no Brasil, Eleni Lianidou foi denunciada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Embaixadas, Consulados e Organismos Internacionais, que também acionou o Ministério Público do Trabalho. O Itamaraty foi informado sobre o caso. Naquele mês, o embaixador da Grécia na Argentina, Efstathios Paizis Paradelis, esteve no Brasil para tomar depoimentos oficiais.
Com a saída de funcionários e a persistência dos relatos de agressões, Efstathios Paizis Paradelis retornou em agosto para ouvir Eleni Lianidou, mas encontrou resistência, pois a embaixadora não quis se reunir com ele. Antes disso, ela enviou uma mensagem às representações europeias no Brasil alegando perseguição e dizendo temer os funcionários brasileiros.
A saída de Eleni Lianidou representa uma das permanências mais curtas de um diplomata grego no Brasil, com pouco menos de nove meses à frente da missão. Em sua carreira de 35 anos, ela serviu em várias posições importantes, porém essa foi a menor estadia em um país.
Fontes diplomáticas informam que a chefe da Seção Consular da Grécia em São Paulo, Eleni Papagianni, foi comunicada sobre a decisão. O retorno de Eleni Lianidou a Atenas foi determinado pouco depois do encontro entre o chanceler grego Giorgos Gerapetritis e o ministro brasileiro Mauro Vieira em Nova Iorque.
Ambiente conturbado na embaixada
Uma funcionária que retornou de licença maternidade para ajudar na chegada de Eleni Lianidou revelou ter percebido, já no primeiro dia de trabalho com ela, que a convivência seria difícil.
Questionados, os funcionários afirmaram que a agenda oficial e os eventos eram poucos durante o período da embaixadora, em comparação com gestões anteriores. Um motorista relatou que os compromissos diplomáticos eram limitados a no máximo três eventos por semana.
Outra colaboradora resumiu: “Ela era embaixatriz, não embaixadora”, criticando a falta de comprometimento com o trabalho diplomático essencial nas relações bilaterais entre Brasil e Grécia, que duram 200 anos.
