A Polícia Federal realizou uma operação nesta quinta-feira para cumprir mandados de busca e apreensão contra o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele é suspeito de favorecer empresas da construção e do setor imobiliário, oferecendo decisões judiciais em troca de vantagens para sua família.
As investigações se referem ao período em que ele atuava como juiz em primeira instância na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro.
A operação, chamada Em Nome do Pai, também envolve a esposa do desembargador, seus dois filhos, uma cunhada e uma advogada. Seis mandados foram expedidos pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, e realizados em residências no bairro de Icaraí, em Niterói. Em uma das casas, pertencente a um dos filhos de Scisinio, foram apreendidos R$ 27 mil em dinheiro.
Desembargadores possuem foro especial no STJ para crimes comuns. Por isso, apesar dos fatos investigados terem ocorrido quando Scisinio era juiz de primeira instância, a autorização das buscas precisou ser feita pelo STJ, pois atualmente ele é desembargador.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não comentou sobre a operação, e nem a Polícia Federal ou o Supremo Tribunal Federal divulgaram informações sobre a defesa do magistrado.
A investigação foi iniciada a partir de informações fornecidas pela Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do magistrado.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado combinava decisões judiciais com o recebimento de vantagens para a família de Scisinio. Essas vantagens incluíam imóveis, descontos especiais, pagamentos indiretos e intermediários ligados aos investigados.
A Polícia Federal explicou que as buscas foram possíveis mesmo após anos dos fatos porque os atos de corrupção ocorreram durante a atuação do magistrado na primeira instância, mas as ações de lavagem de dinheiro continuaram ao longo do tempo.
Scisinio foi promovido a desembargador em 2021. Os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
