CAIO SPECHOTO
FOLHAPRESS
O governo do presidente Lula anunciou que vai usar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos após o país aumentar as tarifas sobre produtos brasileiros em 12,5%. O objetivo é tentar ter mais força nas negociações comerciais.
Em situações anteriores, o governo brasileiro chegou a considerar, mas descartou retaliações contra os produtos americanos, mesmo mencionando a lei de reciprocidade.
No dia 23 de maio, o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciou uma taxa adicional de 12,5% para produtos do Brasil, que veio logo após outra taxa de 25%. O Brasil foi incluído em uma lista de 60 países que, segundo os EUA, utilizam trabalho forçado em seus produtos.
Em resposta, o governo de Lula divulgou uma nota afirmando que as tarifas são injustificadas e que irá iniciar os processos para aplicar a lei de reciprocidade.
Esse processo envolve estudos para identificar setores da economia brasileira que podem sofrer retaliações sem prejuízos significativos. Após essa análise, pode ser tomada a decisão política para implementar ou não a reciprocidade, o que pode levar meses.
Segundo autoridades próximas ao presidente, uma retaliação só deve ocorrer antes das eleições de outubro se a relação comercial se deteriorar muito rapidamente.
Mesmo que não haja retaliações, abrir esse processo fortalece a posição do Brasil durante as negociações com os Estados Unidos. Assim, aceitar as tarifas sem reação enfraqueceria o país.
Após o anúncio anterior das tarifas de 25%, o governo brasileiro também mencionou a lei de reciprocidade, mas as declarações públicas indicavam que não haveria retaliações imediatas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Brasil não deve retaliar os EUA e que a lei serve para mostrar que o país está sendo prejudicado e busca uma solução justa.
O ministro de Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, também afirmou que não há necessidade de aplicar medidas no momento, mas que a lei permite que isso ocorra se necessário.
O presidente Lula ordenou que o governo continue negociando com os Estados Unidos. Ele disse que o Brasil está aberto à conversa e que cabe aos EUA mostrar uma razão legítima para taxar produtos brasileiros.
