GUSTAVO BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, esclareceu que o aumento de 15% no Bolsa Família, anunciado recentemente e próximo das eleições presidenciais, não é uma ação feita só para ganhar votos.
Segundo Durigan, essa medida não aumenta as despesas gerais do governo federal. O reajuste tem o objetivo de corrigir o benefício pela inflação para proteger o poder de compra das famílias beneficiadas.
Ele destacou: “Fizemos o dever de casa, não houve empréstimos extras como no governo anterior, não estamos planejando atrasar pagamentos de precatórios ou aos governadores. O aumento já cabe no orçamento brasileiro”. A declaração foi dada em entrevista neste sábado (19) à CNN Brasil.
O governo deve detalhar na próxima quinta-feira (24) o conjunto de ações fiscais que possibilitarão o aumento do Bolsa Família. A expectativa é que o impacto no orçamento seja de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões no próximo, conforme dados do Palácio do Planalto.
Durigan afirmou: “Esses R$ 5,8 bilhões vão sair de algum ajuste, e nós vamos organizar isso. Já anunciamos que em 24 de setembro apresentaremos as despesas previdenciárias que serão readequadas para liberar recursos para o Bolsa Família este ano e o próximo”.
O governo explica que o reajuste serve para compensar a perda causada pela inflação de 15,04% acumulada de março a agosto de 2023. O índice usado para a correção é o INPC, que considera famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos. O IPCA no mesmo período foi de 16,3%.
Se o cálculo fosse feito desde a data em que o benefício passou a ser R$ 600, em agosto de 2022, durante o governo anterior, a correção seria de 17,5%, alcançando R$ 705.
O governo também está avaliando medidas para aumentar o controle sobre as apostas esportivas, mas ainda não definiu nada, conforme Durigan. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou sua intenção de acabar com essas apostas.
Segundo dados do Ministério da Fazenda, as apostas legais federais movimentaram R$ 220,6 bilhões em 2025, com R$ 36,9 bilhões sendo lucro das casas de apostas, prejudicando os apostadores.
Durigan comentou: “Esse dinheiro prejudica a capacidade financeira das famílias. Precisamos fazer mais para proteger os cidadãos. Estamos estudando medidas para controlar as apostas”.
Além disso, o governo estuda iniciativas que possam ajudar a diminuir as dívidas excessivas das pessoas, incluindo a compra de dívidas antigas que os bancos têm dificuldade de recuperar, mas não deu mais detalhes.
