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domingo, 05/04/2026

Governo busca soluções para controlar dívidas das famílias

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Em Brasília

O aumento do endividamento das famílias brasileiras voltou a ser uma preocupação para o governo federal, que intensificou negociações com bancos para criar novas medidas que aliviem o consumidor.

Uma das propostas principais é lançar uma nova versão do programa Desenrola Brasil, que funcionou por 10 meses entre julho de 2023 e maio de 2024, focado na renegociação de dívidas das famílias. Desta vez, o programa será mais restrito que o anterior.

O diagnóstico da equipe econômica indica que o comprometimento atual da renda com dívidas já está afetando o consumo e pode prejudicar o crescimento econômico em 2026.

Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias está próximo ao recorde histórico, atingindo cerca de 49,7% da renda em janeiro, com o comprometimento mensal com dívidas em torno de 30%.

Além disso, a inadimplência apresenta sinais de crescimento, refletindo o impacto dos juros elevados, que atualmente estão em 14,75% ao ano, na taxa Selic.

Desenrola 2.0

O governo discute um novo modelo de renegociação de dívidas, chamado de Desenrola 2.0, que deve ser mais restrito e focado em linhas de crédito sem garantia, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimos pessoais, que são os mais caros para os consumidores e concentram maior inadimplência.

Essa estratégia busca maximizar o impacto das medidas, reduzindo riscos para o sistema financeiro, com diálogo contínuo com os bancos, que apresentam maior disposição para renegociar essas dívidas devido ao aumento do calote.

O objetivo é oferecer condições melhores de pagamento, com prazos maiores e juros menores, permitindo que os consumidores substituam dívidas mais caras por opções sustentáveis.

Além da renegociação, o governo avalia medidas para diminuir o custo do crédito, como incentivar o uso de garantias, melhorar os métodos de avaliação de risco e promover mudanças regulatórias para aumentar a concorrência no sistema financeiro.

Considerando o cenário de juros ainda elevados, as famílias têm dificuldade para reorganizar suas finanças e os bancos permanecem mais rigorosos na concessão de crédito. O governo busca calibrar as ações para evitar efeitos negativos, como o superendividamento ou aumento do risco para os bancos.

O programa será mais direcionado e terá um alcance gradual, mas algum tipo de intervenção é visto como essencial, especialmente em ano eleitoral, para garantir que o consumo, principal motor da economia, não perca força e prejudique o crescimento.

Impactos dos juros altos no endividamento

  • Juros elevados aumentam o custo das parcelas de empréstimos, financiamentos e principalmente do cartão de crédito e cheque especial;
  • Consumidores endividados comprometem uma parte maior da renda mensal para pagar as dívidas;
  • Com crédito mais caro, trocar dívidas por outras com juros menores fica mais difícil, aumentando o risco de atraso e calote;
  • Famílias evitam novas dívidas e bancos restrigem o crédito, reduzindo a circulação de dinheiro na economia.

Sobre o programa Desenrola Brasil

O Desenrola Brasil foi um programa criado pelo governo em 2023 para incentivar a renegociação de dívidas de pessoas físicas, especialmente de baixa renda. Ele permitiu descontos relevantes, em alguns casos superiores a 80%, e ofereceu condições facilitadas de pagamento, com prazos maiores e opções de parcelamento.

O programa abrangia diferentes faixas de consumidores, desde aqueles com pequenas dívidas até quem possuía débitos maiores com bancos, varejistas e concessionárias.

Essa iniciativa teve impacto significativo na redução da inadimplência a curto prazo, ajudando milhões de brasileiros a limpar o nome e retornar ao mercado de crédito.

O novo modelo em discussão será mais restrito e focado, direcionado principalmente a créditos sem garantia e com juros altos. Além disso, buscará atuar de forma coordenada com os bancos, sem subsídios ou garantias públicas amplas, agindo onde há maior pressão no orçamento das famílias e com menor custo fiscal e risco de novo endividamento.

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