Dalmi Defanti, especialista em impressão gráfica, explica os desafios de administrar uma gráfica para se adaptar ao mercado atual. Em 2022, o Brasil tinha 15.691 empresas gráficas e, em 2023, 167.850 trabalhadores diretos nesse setor, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, Ministério do Trabalho e IBGE. Essas empresas precisam equilibrar o custo dos materiais, prazos de entrega e investimentos em tecnologia.
Um setor que ainda gera empregos
Informações do Novo Caged, reunidas por Abigraf e Fiesp, indicam que a indústria gráfica teve um aumento de 299 empregos diretos no segundo trimestre de 2025. Desde o início de 2020, o setor criou 12.830 novas vagas.
Esses números mostram que o setor é importante e formado por empresas de vários tamanhos, que precisam tomar decisões eficientes diariamente. O crescimento indica a necessidade constante de profissionais, mas também a importância da gestão de pessoas. Operadores, designers e técnicos precisam de treinamento constante, pois as novas tecnologias mudam a forma de trabalho.
Custo, prazo e qualidade: o equilíbrio necessário
A saúde financeira de uma gráfica depende de três pontos avaliados juntos: custo do produto, prazo de entrega e retrabalho. O custo envolve preços de papel, tinta, produtividade e desperdício. O prazo depende do planejamento eficiente. O retrabalho mostra falhas na comunicação entre cliente, criação e produção.
Para definir preços corretamente, é preciso entender o custo real de cada trabalho, considerando hora de máquina, perdas de material e tempo gasto. Sem esse controle, há risco de vender abaixo do custo em pedidos pequenos e perder competitividade em pedidos maiores.
O desperdício requer atenção especial. Restos de papel, ajustes nas máquinas e erros nos arquivos causam perdas que não aparecem em notas fiscais, mas diminuem o lucro. Anotar essas perdas por tipo de serviço ajuda a melhorar o processo.
Planejar as compras é essencial. Papel e tinta são partes importantes do custo, e comprar sem previsão pode gastar dinheiro sem necessidade ou faltar material no meio do trabalho.
Investir com atenção na tecnologia
Comprar máquinas novas é uma decisão de gestão, não só tecnológica. Dalmi Defanti destaca que a compra deve ser feita pensando no tipo e volume de pedidos que a máquina atenderá, para que o investimento vale a pena. Caso contrário, a máquina fica parada e o caixa é afetado.
A impressão digital, por exemplo, permite oferecer produtos variados, mas precisa de clientes que valorizem tiragens pequenas, personalização e prazos rápidos. O projeto de investimento deve incluir custos de manutenção, insumos e capacitação da equipe.
A tecnologia também melhora o design e a pré-impressão: a verificação automática de arquivos reduz erros de cor e resolução, e a análise de dados ajuda a prever o consumo de insumos.
O valor do bom relacionamento com o cliente
Com mais de 15 mil empresas em 2022, ter um bom relacionamento com o cliente é um diferencial para as gráficas. Ser claro no atendimento, informar prazos reais e orientar sobre os melhores processos diminui erros e evita custos para ambas as partes.
Dalmi Defanti ressalta que a gráfica que explica as opções de papel, acabamento e processo constrói confiança. Assim, o cliente decide melhor, a produção recebe arquivos completos e o resultado final fica próximo do esperado.
Gestão e inovação andam juntas: a tecnologia amplia o que a gráfica pode oferecer, e a gestão define os investimentos certos no momento certo. Esse equilíbrio sustenta empresas que representam milhares de negócios e mais de 167 mil empregos diretos.


