Os mercados financeiros brasileiros passaram por ajustes nesta terça-feira (27), após um dia anterior de forte alta do dólar e dos juros futuros. Na segunda-feira (26), o dólar atingiu a maior valorização diária desde 1999, e os juros futuros subiram mais de 250 pontos-base, em reação à reeleição do presidente Lula para um novo mandato.
Na terça, o dólar caiu 1,14%, fechando a R$ 5,348, depois de ter chegado a R$ 5,409 na véspera. Os juros futuros também recuaram; o DI para janeiro de 2028 caiu 48 pontos-base, para 14,340%, e o para janeiro de 2031 caiu 37 pontos-base, para 14,91%.
Enquanto isso, a Bolsa de Valores não acompanhou a correção e encerrou em queda de 0,50%, atingindo 175.710 pontos, pressionada principalmente pelas ações da Petrobras. O dia foi marcado pela volatilidade, com o Ibovespa oscilando entre ganhos e perdas.
Rebecca Nossig, estrategista de ações, comentou que o mercado realizou ajustes após a instabilidade do dia anterior. Segundo ela, os investidores aguardam mais informações sobre a equipe econômica e medidas fiscais do governo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou a importância de o governo dar sinais claros ao mercado sobre a política fiscal. Ele destacou que o presidente Lula definirá sua equipe e que serão apresentadas medidas para buscar o equilíbrio fiscal.
Há indicações de que Rafael Fonteles, governador do Piauí, possa assumir o Ministério da Fazenda, o que representa uma sinalização importante para o mercado.
Na segunda-feira, o Ibovespa teve sua maior queda diária desde março de 2020, influenciado pela crise gerada pela pandemia na época, e o mecanismo de circuit breaker foi acionado para conter a volatilidade.
A vitória de Lula gerou surpresa nos investidores, que esperavam a vitória de Flávio Bolsonaro. Isso elevou as preocupações sobre uma política fiscal mais expansiva e o crescimento da dívida pública, aumentando a percepção de risco.
Apesar da correção na terça-feira, especialistas apontam que a volatilidade deve continuar nos próximos dias, pois ainda há muitas incertezas sobre a gestão do novo governo. O mercado seguirá atento a anúncios e decisões que impactem a confiança dos investidores.
No mercado de juros, a recuperação foi impulsionada pelas operações do Tesouro Nacional, que realizou recompra de títulos para tentar conter as altas nas taxas. Essas medidas buscam preservar a funcionalidade do mercado e reduzir a volatilidade.
Analistas destacam que, nas próximas semanas, o Banco Central e o Tesouro devem atuar para estabilizar o mercado de câmbio e títulos públicos, garantindo o equilíbrio necessário para as operações financeiras.
Entre as ações do Ibovespa, algumas apresentaram recuperação após fortes quedas na segunda-feira, principalmente varejistas e empresas dos setores de saúde e bancos, apesar da pressão que ainda paira sobre o mercado.


