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Brasil

Geraldo Neto nega acusação de feminicídio em depoimento longo

Gisele Alves Santana/Instagram

Geraldo Neto, tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, preso por suspeita de feminicídio da soldado Gisele Alves, negou novamente as acusações em um depoimento que durou oito horas. O oficial insiste que a morte de Gisele foi um suicídio, mesmo com laudos periciais indicarem o contrário.

A ocorrência aconteceu em fevereiro, no apartamento do casal na Barra Funda, São Paulo. Segundo a perícia, o disparo fatal partiu da arma de Geraldo Neto. Ele, entretanto, afirma que a soldado tirou a própria vida, posição contestada pelos peritos, que apontam ser impossível que ela tenha se baleado sozinha.

Relatos indicam que após um suposto disparo, Geraldo teria saído do banheiro e encontrado Gisele caída na sala, embora provas apontem que elementos no ambiente impediriam essa visão. Geraldo ainda acusa investigadores de manipular a cena, mas imagens das câmeras dos policiais militares demonstram que isso não ocorreu. Um bombeiro que atendeu Gisele também confirmou a presença de objetos na sala conforme as imagens.

A perícia sugere que Gisele foi abordada por trás e sofreu um disparo à queima-roupa, com marcas indicando imobilização antes do ferimento. Sangue encontrado no banheiro e na roupa de Geraldo Neto foram contestados pelo mesmo, que alega alteração da cena por agentes.

Mensagens indicam problemas no relacionamento

Durante as investigações, mensagens revelaram que Gisele planejava se separar de Geraldo Neto, que era ciumento e possessivo. Áudios de Gisele relatam episódios de violência, como um momento em que ele colocou a mão em seu rosto.

Geraldo Neto negou tais acusações e disse que Gisele teria criado provas contra ele simulando conversas no celular dele. Mensagens também apontam que ele esperava obediência dela e havia algumas discussões sobre o relacionamento e divórcio. O oficial confirmou ter enviado uma mensagem sobre dificuldades financeiras relacionadas ao relacionamento.

Apesar dos conflitos, Geraldo afirmou que quem queria terminar era ele, e que Gisele não desejava o divórcio de fato.

Defesa solicita liberdade

A defesa de Geraldo Neto pediu que ele responda ao processo em liberdade, mas o Ministério Público se opõe, citando riscos de interferência nos depoimentos e no julgamento.

Geraldo Neto permanece preso preventivamente enquanto a Justiça avalia se ele será levado a júri popular pelo feminicídio da soldado Gisele Alves.

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