DANIELE MADUREIRA
FOLHAPRESS
Fabricantes brasileiros de produtos de limpeza receberam recentemente uma carta da empresa espanhola Moeve, que fornece matérias-primas químicas, informando que o preço do ácido sulfônico linear (LAS), componente essencial na fabricação de detergentes líquidos, lava-roupas e outros produtos de limpeza, vai subir em US$ 915 (R$ 4.812) por tonelada a partir de abril.
Esse aumento representa quase 60% de reajuste, o que pode refletir em um aumento final de 20% a 30% nos preços dos produtos para o consumidor. A Moeve é a principal fornecedora nacional desse insumo, produzindo em Camaçari (BA) e suprindo cerca de 70% da demanda local.
A empresa justifica o aumento citando o conflito no Irã, que tem causado restrições no acesso a matérias-primas e dificuldades logísticas, principalmente na região do Estreito de Hormuz, além de impactos em unidades de refino, agravando o desequilíbrio entre oferta e demanda globalmente.
A carta da Moeve afirma que, diante desse cenário difícil e sem previsão de melhora no curto prazo, o reajuste de US$ 915 por tonelada será implementado a partir de abril de 2026, elevando o preço do LAS de cerca de US$ 1.600 para US$ 2.415 por tonelada.
Contatada para comentar, a Moeve não respondeu antes da publicação da reportagem, alegando política de confidencialidade quanto a ajustes de preços.
A Moeve é responsável pela maior parte das matérias-primas para limpeza doméstica e comercial no Brasil, com receita líquida de R$ 2,1 bilhões e lucro líquido de R$ 209 milhões em seu último balanço.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), não há dificuldade para obter o LAS no mercado internacional, com fornecedores na América do Sul, Índia e Egito, países não envolvidos no conflito. Porém, eles acompanham com atenção os efeitos do conflito sobre os setores relacionados à petroquímica.
Já a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abipla) afirmou que o LAS faz parte de uma cadeia petroquímica influenciada por vários fatores, como oferta internacional, custos de energia e flutuações no mercado de petróleo, e que não comenta decisões empresariais individuais.
Há fornecedores locais como Basf e Stepan, que importam o insumo, encarecendo o custo. Empresas como Unilever e Química Amparo fabricam seu próprio LAS, mas a maioria das indústrias depende da Moeve para o fornecimento. Importar o insumo eleva o custo e pode influenciar o preço final dos produtos.
A unidade de produção em Camaçari era da Deten até ser comprada pela espanhola Cepsa Química. A Petrobras vendeu sua participação em 2022 para a Cepsa, que já era sócia majoritária desde 1999. Em 2024, a Cepsa adotou o nome Moeve globalmente, focando em energia de baixo carbono.

