A Câmara dos Deputados promoveu uma sessão especial para reconhecer a importância das mulheres nas Forças Armadas. Atualmente, as mulheres representam cerca de 10% dos militares, totalizando aproximadamente 37 mil profissionais.
Dessas, 13 mil atuam no Exército, 8 mil na Marinha e a Aeronáutica possui a maior proporção feminina, com cerca de 20% do seu contingente formado por mulheres.
A cerimônia contou com a presença de militares das três Forças e do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
Ana Maria Abreu Jorge Teixeira, coronel engenheira e diretora de projetos de engenharia do Exército, relembrou que as mulheres começaram a ingressar no Exército em 1992 na área administrativa, expandindo para saúde e engenharia a partir de 1997.
Ela destacou sua trajetória iniciada em 1997 como engenheira militar, afirmando que trabalhou em todas as funções da carreira militar. Ana Maria também atuou como professora no Instituto Militar de Engenharia por 15 anos e concluiu mestrado e doutorado. Atualmente, lidera projetos importantes do Exército.
Na Aeronáutica, a major-brigadeiro Carla Lyrio Martins, reitora da Escola Superior de Defesa, ressaltou o progresso feminino na carreira militar. Ela é pioneira como primeira mulher oficial-general de três estrelas na área médica e foi a primeira a comandar uma organização militar da Força Aérea em 2015.
Com 35 anos de serviço, Carla Lyrio acompanhou o crescimento da presença feminina e enfatizou o respeito conquistado dentro da corporação.
Desafios na carreira
A juíza corregedora do Superior Tribunal Militar, Safira Maria de Figueiredo, comentou que ainda são poucas as mulheres nos níveis mais altos das Forças Armadas. Essa realidade dificulta o acesso ao STM, já que os ministros são escolhidos entre oficiais-generais de quatro estrelas.
José Múcio Monteiro apontou a necessidade de ampliar a inclusão feminina e mencionou progressos recentes, citando mulheres em cargos estratégicos como a secretária-geral do ministério, além de oficiais em posições de comando e direção. Também destacou as novas turmas femininas na Marinha, incluindo marinheiras em 2023 e fuzileiras navais previstas para 2024.
Investimentos
É essencial garantir orçamento para adaptar as infraestruturas militares, como alojamentos e banheiros, atendendo às demandas femininas.
Participação política
A deputada Jack Rocha, coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara, ressaltou a desigualdade histórica enfrentada pelas mulheres na política brasileira.
Em mais de 200 anos da Câmara dos Deputados, apenas 499 mulheres exerceram mandatos contra 14.431 homens. Atualmente, as 99 deputadas respondem por 44% da produção legislativa e ocupam cargos relevantes na Mesa Diretora e presidência de comissões.
