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Economia

Senado avalia desafios em auditoria contra fraudes no Banco Master

Foto: Banco Master/ Divulgação

Durante uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, especialistas discutiram as dificuldades enfrentadas por auditores independentes para identificar fraudes feitas pela alta direção do Banco Master. O debate faz parte do acompanhamento das investigações da Polícia Federal (PF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o caso de manipulação no mercado financeiro envolvendo essa instituição.

O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), ressaltou a importância das auditorias independentes para proteger os investidores, diminuindo desigualdades de informação e reforçando que, em ambientes financeiros complexos, a confiança depende da clareza e da exatidão dos dados apresentados.

Senadores pediram propostas para melhorar a regulação dos ativos financeiros. Esperidião Amin (PP-SC) perguntou como identificar ativos falsificados que deram a impressão de maior solidez ao Banco Master, comparando o caso a uma supervalorização feita como se fosse uma ‘Casa da Moeda’, onde valores cresceram de R$ 850 milhões para R$ 6 bilhões.

Fabio Pinto Coelho, da CVM, sugeriu a criação de regras específicas para precificar ativos financeiros difíceis de avaliar, com profissionais bem treinados e responsabilidades claras. Ele enfatizou que o principal problema está na prática, e não nas normas, já que regras internacionais são usadas em muitos países sem causar tantos problemas.

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Jorge Kajuru (PSB-GO) perguntou sobre o nível técnico dos auditores em bancos. O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim de Alencar Bezerra Filho, garantiu que os profissionais têm boa formação, passando por uma certificação rigorosa que reprova 70% dos formados em ciências contábeis.

Rogerio Lopes Mota, diretor técnico do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IAIB), explicou que os auditores só têm acesso às informações aprovadas pela diretoria, o que dificulta a descoberta de fraudes, especialmente quando envolvem fundos de investimento externos, como no caso do Banco Master. Bezerra reforçou que a auditoria oferece apenas uma segurança razoável, não absoluta, e que a responsabilidade permanece com a administração da empresa.

O presidente do CFC recomendou que auditores possam consultar o Registrato do Banco Central para obter dados financeiros mais completos, como operações Pix e transferências. Tanto ele quanto Mota apoiam o Projeto de Lei (PL) 2.581/2023, do senador Sergio Moro (União-PR), que propõe recompensar quem denunciar crimes no mercado financeiro. O projeto foi aprovado no Senado em 2024 e segue para a Câmara dos Deputados.

Antoninho Marmo Trevisan, fundador da Trevisan Escola de Negócios, esclareceu que os auditores certificam a conformidade com normas e boas práticas, trabalhando como profissionais de governança e não como fiscais policiais. Seus relatórios são enviados a órgãos reguladores e supervisores.

*Com informações da Agência Senado

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