A cinco dias do primeiro turno, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mudou a abordagem para reduzir o desgaste causado pela polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Após acusar membros da CNBB de espalhar informações falsas, o senador agradeceu à entidade, exibiu uma imagem da santa e participou de um podcast católico.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou participação na criação ou circulação do conteúdo e afirmou que “mentira não se combate com outra mentira”. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro evitou a crítica à CNBB e disse que a nota da entidade confirmou que era falsa a história sobre a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A polêmica preocupa a campanha, especialmente por Flávio Bolsonaro ser evangélico e tentar evitar perdas entre eleitores católicos, que representam quase 57% da população brasileira. Aliados esperam que a repercussão diminua até a votação, com desmentidos, decisões judiciais e ações do candidato voltadas ao público católico.
A controvérsia surgiu após a menção de um projeto antigo de 2007 para retirar o título de Padroeira do Brasil, iniciativa que foi arquivada em 2008 e que Flávio Bolsonaro não apoiou nem apresentou. A campanha recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tirar do ar conteúdos que associavam o senador à promessa de retirar o título da santa, mas a decisão foi questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Pesquisa Quaest divulgada mostra Flávio Bolsonaro com 34% e Lula com 39% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, ambos têm 42%. Enquanto Lula ampliou apoio entre mulheres, católicos e eleitores de baixa renda, a campanha de Flávio Bolsonaro indica estabilidade nas pesquisas internas.
Para conter os efeitos da polêmica, Flávio Bolsonaro visitou o Mercado Municipal de São Paulo, agradeceu à CNBB e participou de um podcast católico. Lideranças evangélicas também defenderam o senador, negando uso do episódio para fomentar disputa religiosa.
A campanha também foca em estimular o voto útil, pedindo a eleitores de outras candidaturas de direita que possam votar nele desde o primeiro turno. Com agendas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, Flávio Bolsonaro vem concentrando esforços até a eleição, que ocorre em poucos dias.

