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Na Câmara

Fim da escala 6×1 e redução da jornada, diz Boulos

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, defende a adoção imediata do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais logo após a aprovação das propostas na Câmara e no Senado. Em audiência pública na comissão especial que discute o tema, Boulos enfatizou que o texto final das PEC 221/19 e PEC 8/25 não deve permitir qualquer transição que atrase as mudanças.

“Se eu fosse o relator, escreveria ‘sem qualquer transição’ ou, no máximo, 30 a 60 dias para adaptação das empresas, como ocorre em outras leis. O debate já dura mais de um ano e meio”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) manifestou preocupação com tentativas de parlamentares que buscam flexibilizar pontos-chave das propostas, incluindo a criação de emendas que dificultem o fim da escala 6×1, como a chamada ‘Bolsa Patrão’ que seria uma política de compensação, e a possibilidade de transição sem prazo definido.

Boulos respondeu às críticas de empresários, mencionando pesquisas do Ipea e do Sebrae que refutam possíveis impactos negativos na produtividade do país, e citou a experiência da Islândia com a escala 4×3 como exemplo de sucesso. Para ele, o Brasil vive uma chance histórica para ajustar a jornada de trabalho, oferecendo mais tempo para os trabalhadores, inclusive para a qualificação profissional.

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“Este é um momento histórico. Faz quase 40 anos desde a última redução da jornada no Brasil, na Constituição de 1988. Naquela época não havia internet. Hoje, com IA e tecnologias avançadas, a produtividade aumentou, mas esse ganho não retornou em tempo aos trabalhadores”, explicou.

Rick Azevedo, vereador e fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que lidera a mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem cortar salário, contou sua experiência pessoal: “Tenho 12 anos na escala 6×1. Travei em empregos variados, de supermercado a call center. Como um pai ou mãe de família pode viver com essa escala? Eu não consegui cursar faculdade por causa desse modelo opressor”.

Por outro lado, o deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) criticou a falta de dados técnicos nos estudos apresentados durante o debate. “Estamos preocupados com a ausência de informações técnicas sobre os efeitos dessas mudanças. As apresentações de hoje não trouxeram dados técnicos confiáveis”, comentou.

A próxima reunião da comissão, agendada para segunda-feira (18), discutirá o ponto de vista dos empregadores sobre as propostas de alteração na jornada de trabalho.

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