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Economia

EUA investem mais R$ 1,2 bi para comprar mineradora brasileira de terras raras

Foto: Divulgação / Mineração Serra Verde

THIAGO BETHÔNICO
FOLHAPRESS

A empresa americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (24) que finalizou o plano financeiro para adquirir a Serra Verde, a única mineradora de terras raras que está em operação no Brasil.

A companhia informou que levantou US$ 1,5 bilhão (equivalente a R$ 7,7 bilhões) para fechar essa compra, que deve ocorrer ainda esta semana.

Deste valor, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) foram financiados pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Esse montante é US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão) maior do que o inicialmente previsto.
“Agradecemos o apoio estratégico e o maior comprometimento financeiro do governo dos EUA e temos orgulho de continuar nossa parceria para criar uma cadeia de fornecimento de terras raras segura e confiável”, afirmou em comunicado Michael Blitzer, presidente executivo da USA Rare Earth.

Segundo Blitzer, a Serra Verde já investiu mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,16 bilhões). Ele destacou que a empresa tem um dos projetos de terras raras mais avançados do mundo e é a única produtora comercial fora da Ásia.

“Agora, a Serra Verde pode começar a fornecer esses materiais importantes para o mercado americano”, completou.
O governo dos EUA também fechou um contrato para comprar futuramente pelo menos US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) em produtos de terras raras da Serra Verde durante cinco anos.

A conclusão dessa compra deve ocorrer nos próximos dias. Uma assembleia especial dos acionistas está marcada para sexta-feira (28) para discutir o negócio.

Depois de concluída a transação, a USA Rare Earth passará a controlar a mina de Pela Ema, em Goiás. Essa mina produz os quatro principais elementos de terras raras magnéticas, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes.

As terras raras são 17 elementos químicos de difícil extração e processamento. Alguns deles são importantes para a produção de ímãs para veículos elétricos, energia limpa e sistemas de defesa.

Atualmente, a China é responsável por mais da metade da extração desses materiais e controla quase toda a capacidade de processamento. Empresas e o governo dos EUA trabalham para reduzir essa dependência.

A compra da Serra Verde, com apoio do governo americano, gerou um debate sobre um tema delicado na discussão global sobre terras raras: a entrada de capital estrangeiro nesse setor.

Devido à importância geopolítica que esse setor adquiriu, essa discussão envolve não apenas questões econômicas, mas também a soberania nacional.

Existem propostas para criar regras e limitações aos investimentos estrangeiros nesse segmento. Essas medidas fazem parte de um projeto de lei que estabelece uma política nacional para minerais críticos e terras raras. O projeto, aprovado na Câmara dos Deputados em maio, ainda está pendente de votação no Senado.

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