FOLHAPRESS
O dólar está variando nesta segunda-feira (24), com investidores atentos ao conflito no Oriente Médio e possíveis sanções dos EUA contra o Irã. Outros fatores como o cenário eleitoral e ações do Tesouro americano também são observados.
Por volta das 12h, o dólar subia 0,09%, acompanhando o mercado internacional. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes, crescia 0,18%.
Ao mesmo tempo, a Bolsa subia 0,80%, alcançando 172.410 pontos.
Hoje, o mercado espera anúncios de novas medidas do governo Trump contra o Irã. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu divulgar medidas rigorosas contra Teerã em entrevista marcada para às 14h.
“Ao amanhecer, começa um ‘Dia D’ econômico – a maior ação financeira já feita contra um inimigo”, escreveu Bessent em artigo no Financial Times no domingo (23).
O Irã rejeitou as ameaças dos EUA, prometendo interromper todas as exportações de petróleo do Golfo caso a guerra econômica continue e afirmando que responderá de forma devastadora a novas ameaças.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que o plano americano visa distrair a crise interna dos EUA.
O estreito de Hormuz segue fechado, com Teerã exigindo que os EUA cumpram um acordo provisório de junho, incluindo o fim do bloqueio a portos iranianos, suspensão das sanções ao petróleo, liberação de ativos congelados e paralisação de ameaças militares.
Apesar das tensões, o preço do petróleo Brent, referência mundial, caiu 1,74% neste pregão. A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, explica que investidores aguardam detalhes do plano americano antes de reagir.
Ela acrescenta que a queda do petróleo reduz o suporte às grandes exportadoras, como a Petrobras, incentivando cautela no mercado local.
Os investidores também monitoram o cenário político após pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira. No primeiro levantamento após o início oficial da campanha presidencial, Lula (PT) tem 39% e Flávio Bolsonaro (PL) 33% no primeiro turno; na segunda rodada, Lula lidera por 47% a 43%.
A distância entre os principais candidatos diminuiu quatro pontos percentuais desde junho, indicando uma disputa mais acirrada, o que pode aumentar a volatilidade dos ativos nacionais, segundo o analista de mercados da StoneX, Leonel Oliveira Matos.
O mercado também acompanha a recente operação do Tesouro dos EUA, que aumentará a recompra de títulos de longo prazo de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, aumentando a liquidez e ajudando a manter juros mais baixos nos títulos americanos.
Essa recompra é vista como um alívio temporário, sem alterar fundamentalmente a tendência de subida dos juros longos, que estão ligados a preocupações com o déficit crescente do país.
Leonel destaca que o governo americano não pretende fazer consolidação fiscal nem equilibrar as contas públicas, o que mantém a pressão sobre os juros longos.
A alta dos juros reflete receio dos investidores sobre a situação fiscal dos EUA, cuja dívida pública ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.
Durante a semana, a atenção do mercado estará voltada para o simpósio de Jackson Hole, onde o banco central americano, Fed, deve indicar os próximos passos da política monetária.
No Brasil, serão divulgados alguns indicadores importantes: o IPCA-15 de agosto na quarta-feira (26), confirmando expectativas de corte na Selic; a PNAD Contínua na quinta-feira (27), mostrando a taxa de desemprego; e o Caged na sexta-feira (28).
Nos EUA, na quarta-feira serão divulgados o PIB e o deflator do PCE, indicador de inflação preferido do Fed.
