A Câmara Legislativa do Distrito Federal viveu uma segunda-feira cheia de debates e dúvidas sobre o futuro do Banco de Brasília (BRB). Após várias reuniões com Nelson Souza, presidente do banco, e técnicos do governo local, deputados da base e da oposição disseram que o Projeto de Lei nº 2.175/2026 não será aprovado até que todas as questões técnicas sobre a compra de ativos problemáticos do Banco Master sejam esclarecidas. Por isso, a reunião foi suspensa até às 14h30.
Depois do encontro no Colégio de Líderes, o presidente da Câmara, Wellington Luiz (MDB), declarou que a votação só ocorrerá quando todas as preocupações forem resolvidas. “Não será levado à votação enquanto não for totalmente discutido”, afirmou, afirmando que a decisão pode acontecer na terça-feira, dependendo dos esclarecimentos técnicos.
Os deputados buscam uma solução definitiva para salvar o banco, que é um patrimônio dos moradores do Distrito Federal.
Um dos pontos críticos da reunião foi o tamanho do problema financeiro. Enquanto alguns questionavam a existência de um valor de R$ 22 bilhões, Nelson Souza tentou tranquilizar, separando estimativas exageradas da realidade técnica. Ele explicou que o banco comprou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master, das quais R$ 10 bilhões já foram pagos ou substituídos.
O valor maior, de R$ 22 bilhões, se refere a ativos ainda sob análise e que não podem ser vendidos imediatamente. O valor real só será definido após auditorias feitas pelas empresas Machado Meyer e Kroll.
Pressão técnica e o Projeto de Lei do BRB
O debate acontece com base em um relatório da Consultoria Legislativa, que aponta problemas sérios no projeto do governo, como a falta de análise do impacto financeiro exigido por lei.
Além disso, questionam que o recurso de R$ 6,6 bilhões ultrapassa o limite legal de 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal. Também houve dúvidas sobre a entrega de imóveis como a sede da Novacap e o Centrad sem avaliações corretas e audiências públicas.
Fundo Imobiliário
Os parlamentares dizem que o projeto não explica claramente como os recursos serão usados. O governo propõe desde a venda direta, esperando arrecadar cerca de R$ 6,4 bilhões, até a criação de um fundo imobiliário para gerenciar os imóveis usados como garantia para empréstimos.
Responsabilidade
Nelson Souza finalizou dizendo que existe um risco social caso o banco quebre: a perda de 6.800 empregos e a suspensão do pagamento de 209 mil servidores e programas sociais. “Quem quer o fim do BRB?”, perguntou.
A Câmara agora espera que o governo apresente propostas que deem segurança para que a população fique tranquila, antes de aprovar o crédito bilionário.
Os deputados querem também ter acesso ao relatório que o Banco de Brasília enviou para a Polícia Federal, na investigação de fraudes no Banco Master. O objetivo é entender se o prejuízo foi culpa de alguém ou intencional, e quem são os responsáveis.
Programas sociais
Nelson Souza alertou que a falta de apoio financeiro pode parar o pagamento de programas sociais que o banco administra. Além disso, o banco não tem um plano B para casos de federalização ou privatização.
Outro problema são os ativos do Iprev, responsável pela previdência dos servidores do DF. A equipe técnica informou que o instituto ainda não tem prejuízo, mas enfrenta queda nos rendimentos, que antes chegavam a R$ 4 bilhões, segundo deputados.

