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Economia

Dólar sobe pouco e chega a R$ 5,16 em dia ruim para moedas de países emergentes

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Após iniciar o dia estável, o dólar valorizou-se levemente frente ao real no final da manhã, acompanhando a alta da moeda americana diante de outras moedas de países emergentes, especialmente na América Latina.

Embora não tenha havido um motivo claro para essa movimentação no mercado de câmbio mundial, traders estão cautelosos antes do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed) dos EUA, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, evento que pode influenciar as expectativas sobre a política monetária americana.

Com pico de R$ 5,1756 no início da tarde, o dólar à vista fechou o dia em alta de 0,20%, cotado a R$ 5,1620, acumulando crescimento de 0,33% na semana. Em agosto, a moeda americana subiu 1,81%, após queda de 1,79% em julho; no ano, está 5,96% abaixo.

Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, comenta que a inflação persistente nos EUA e a nova liderança do Fed aumentam a incerteza sobre os juros, prejudicando moedas de países emergentes. Ele destaca que a atenção está voltada ao Simpósio de Jackson Hole.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram nesta quinta-feira devido à alta do preço do petróleo, encerrando uma sequência de quedas em três pregões consecutivos. O conflito entre Rússia e Ucrânia e o impasse nas negociações para a abertura do Estreito de Ormuz também afetam o mercado.

O contrato do petróleo Brent para novembro fechou em alta de 1,82%, a US$ 88,52. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, permaneceu estável à tarde, próximo a 99,150 pontos.

Viviane de Las Casas, da Valor Investments, ressalta que, apesar do dólar estar sendo sustentado a curto prazo pelo alto diferencial de juros e pela entrada de recursos pelo comércio exterior, o real pode ser afetado negativamente caso haja alta dos juros nos EUA combinada com cortes da taxa Selic no Brasil.

Ela alerta que o diferencial das taxas de juros pode reduzir a proteção do real, aumentando a volatilidade devido à corrida eleitoral. Segundo ela, isso gera uma situação de equilíbrio delicado.

Na manhã desta quinta, o Banco Central brasileiro realizou uma operação simultânea de venda de dólares à vista com oferta de contratos em swaps cambiais reversos, equivalentes à compra de dólar futuro, totalizando US$ 1 bilhão. A demanda foi totalmente absorvida, indicando que o BC buscou prover liquidez em um fluxo cambial desfavorável.

Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, comenta que o comportamento dos juros em dólar no Brasil permanece estável, sugerindo que o BC agiu preventivamente para conter a saída de recursos do mercado no fim do mês.

Segundo ele, o câmbio atual já incorpora uma alta de juros pelo Fed neste ano, e dados econômicos nos EUA podem levar o mercado a esperar um aperto monetário maior em 2027.

Weigt acrescenta que a eleição presidencial terá impacto maior no real daqui para frente.

Bolsa

O Ibovespa atingiu máximas perto dos 175 mil pontos ao final do pregão, subindo levemente 0,31% e fechando aos 175.135 pontos, em um ambiente de espera cautelosa por parte dos investidores para ampliar exposição em ativos de risco.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca que a alta do índice foi impulsionada pelo avanço das ações da Petrobras, motivado pelo aumento do preço do petróleo. Empresas de commodities como Vale e Gerdau também contribuíram para a sustentação do índice.

Investidores monitoraram a decisão da Justiça do Distrito Federal que suspendeu o imposto sobre exportação de petróleo, influenciando positivamente as ações da Petrobras, tanto na B3 quanto nos ADRs em Nova York.

Além disso, a valorização das ações da Nvidia, que subiram 9% no pregão americano, atraiu recursos para o setor de tecnologia, refletindo a boa performance da empresa, que superou expectativas financeiras. Rodrigo Alvarenga, sócio da One, afirma que a Nvidia está puxando investimentos para a área de inteligência artificial.

Mesmo com o movimento positivo recente da bolsa, os investidores mantêm atenção às incertezas internacionais, como o conflito entre EUA e Irã, que elevam os preços do petróleo e o risco inflacionário global.

No cenário interno, preocupações fiscais permanecem, com poucos sinais claros sobre como a agenda fiscal será conduzida após as eleições presidenciais, segundo Ricardo Modé, diretor de investimentos da Etti Partners.

Juros

A curva de juros futuros encerrou o pregão desta quinta-feira com leve queda, superando a influência externa de alta.

Fatores locais, como a forte aceitação em leilões de títulos prefixados do Tesouro e a deflação recente do IPCA-15, além do retorno de capital estrangeiro à bolsa, contribuíram para o alívio nas taxas.

As taxas dos contratos para os anos de 2027, 2029 e 2031 recuaram modestamente, refletindo uma demanda sólida dos investidores.

Ian Lima, diretor de investimentos em renda fixa na Inter Asset, explicou que o leilão realizado nesta quinta teve grande sucesso, indicando forte interesse do mercado e ajudando a suavizar as taxas, principalmente no curto prazo ligado à política monetária.

Ele observa que a melhora é mais resultado de fatores internos do que de um evento específico no dia.

Relatórios recentes mostraram desaceleração econômica e queda da inflação, antecipando um cenário mais brando para a economia, o que levou a XP Investimentos a reduzir sua previsão para a taxa Selic ao fim de 2026 de 14% para 13,25%.

O governo registrou superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho, ligeiramente abaixo da estimativa, e a taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre móvel até julho, refletindo melhora no mercado de trabalho.

Estadão Conteúdo

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