Brasil e Estados Unidos agendaram uma reunião virtual para a próxima segunda-feira, 31 de agosto, às 14h30, horário de Brasília, para discutir as tarifas que os EUA aplicaram a produtos brasileiros. Esse encontro foi marcado após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na última sexta-feira, dia 21.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representará o Brasil na reunião com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA. Este será o primeiro diálogo entre os dois países desde que as tarifas foram anunciadas em julho.
A ligação entre Lula e Trump durou cerca de uma hora e vinte minutos e foi cordial. Durante a conversa, discutiram principalmente as tarifas, com Lula argumentando que elas prejudicam as economias de ambos os países. Trump concordou sobre a importância de manter as relações comerciais e indicou que as equipes técnicas deveriam dialogar rapidamente.
Após a conversa, Greer entrou em contato com Elias Rosa para retomar as negociações, definindo a data da reunião por meio de mensagens entre os representantes.
Os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais este ano a produtos brasileiros: a primeira, de 25%, em julho, após investigar práticas que consideraram prejudiciais ao comércio entre os dois países. Entre as justificativas estão questões como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações relacionadas a trabalho forçado. Posteriormente, foi aplicada uma segunda tarifa de 12,5%, totalizando até 37,5% para alguns produtos.
Essas tarifas impactam aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Cerca de 8,6 mil empresas foram afetadas, embora 52,7% das exportações brasileiras para os EUA não sofram essas taxas extras.
A estratégia inicial do Brasil será incluir mais produtos na lista de isenções. Depois, o governo planeja negociar a retirada das tarifas. Márcio Elias Rosa antecipou que será uma negociação difícil e está disposto a tratar de diversos temas, como etanol, açúcar, produtos químicos, autopeças, defensivos agrícolas e fertilizantes.
O Brasil contesta os motivos apresentados pelos EUA, argumentando que não são suficientes para justificar as tarifas. O governo brasileiro já pediu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as tarifas não seguem as regras da entidade. Os EUA aceitaram participar das consultas.
Desde o começo das tarifas, o Brasil destaca que os EUA têm superávit na relação comercial, vendendo mais do que compram. O governo brasileiro também conseguiu prorrogar por até um ano a suspensão de tributos para empresas que atuam no regime de drawback, facilitando a adaptação às novas condições para exportação ao mercado americano.
