O dólar subiu novamente nesta sexta-feira, seguindo a alta forte do dia anterior, devido à tensão no Oriente Médio que preocupa os investidores.
Leilões realizados pelo Banco Central e o início de uma investigação comercial dos Estados Unidos sobre o uso de trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil, também impactam o mercado.
Às 13h52, o dólar estava em alta de 0,58%, cotado a R$ 5,276, após ter caído para R$ 5,218 pela manhã.
A Bolsa de Valores teve uma leve alta de 0,03%, atingindo 179.341 pontos, em uma sessão marcada por muita oscilação. Em seu ponto mais alto, chegou a 180.995 pontos.
O conflito no Irã continua influenciando as decisões dos investidores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que, se necessário, escoltará navios pelo Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás mundial.
Trump também afirmou que espera que os esforços militares tenham sucesso e prometeu, em entrevista à Fox News, um ataque forte contra o Irã na próxima semana.
Além disso, o governo americano concedeu uma isenção de 30 dias para que países continuem comprando petróleo da Rússia, que está sob sanções desde o início da guerra na Ucrânia. Essa medida visa conter a alta dos preços do petróleo, que dispararam após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
O mercado teme que a interrupção prolongada no fornecimento de energia possa afetar a inflação global e influenciar a política de juros.
Bruno Shahini, especialista em investimentos, explicou que o aumento do petróleo fez os mercados adiarem o início de cortes nos juros nos EUA do mês de julho para setembro e que os rendimentos dos títulos do Tesouro voltaram a subir.
O preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, subia 1%, chegando a US$ 101,72.
Na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) autorizou o uso de 400 milhões de barris de suas reservas, o maior movimento desse tipo na história do órgão que reúne 32 países, incluindo os EUA. O secretário de Energia americano, Chris Wright, informou que 172 milhões de barris estarão disponíveis a partir da próxima semana.
No entanto, especialistas consideram essa medida apenas um paliativo. Stephen Innes, da SPI Asset Management, comparou a ação da AIE a apontar uma mangueira contra um incêndio em uma refinaria.
A AIE também informou que a interrupção na oferta de petróleo pode ser a maior já registrada. Eles estimam que a produção global caiu 8 milhões de barris por dia em março devido à crise no Estreito de Hormuz.
Países do Golfo, como Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, diminuíram sua produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia, o que corresponde a 10% da demanda mundial.
Sem uma recuperação rápida dessa produção, as perdas podem aumentar, e pode levar semanas ou meses para que a produção volte ao normal, dependendo da complexidade da região afetada.
Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar iraniano, anunciou que os preços do petróleo podem chegar a US$ 200 o barril, dependendo da estabilidade regional.
Paralelamente, os EUA iniciaram uma investigação comercial sobre a entrada de produtos feitos com trabalho forçado em seu mercado, que inclui o Brasil entre os 60 países investigados.
Essa ação baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA agir contra práticas comerciais injustas. A investigação pode levar a tarifas sobre produtos que violem as regras.
O processo dura cerca de 12 meses, durante os quais o país investigado pode apresentar sua defesa.
Internamente, o Banco Central fez operações simultâneas de venda e compra de dólares, conhecidas como ‘casadão’, para aumentar a liquidez do mercado em momentos de grande instabilidade, como o atual.
Embora essas operações aumentem a liquidez, elas não alteram efetivamente o preço do dólar, já que o Banco Central vende e compra o mesmo valor, US$ 1 bilhão.
