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Economia

Dólar e juros futuros sobem com Datafolha e petróleo no radar; Bolsa recua

Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar está subindo nesta quinta-feira, 22, enquanto investidores aguardam a pesquisa Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial, que será divulgada à noite. A disputa eleitoral permanece muito próxima, deixando o mercado cauteloso.

O aumento do preço do petróleo também preocupa, já que pode pressionar a inflação e influenciar as taxas de juros futuras.

Por volta das 10h08, o dólar subia 0,20%, cotado a R$ 5,051. As taxas de juros futuras também aumentavam: a taxa DI para 2028 avançou para 12,865%, e a taxa DI para 2030 subiu para 12,675%.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores caía 0,26%, com o índice Ibovespa em 205.943 pontos.

Na quarta-feira, 21, o dólar teve uma leve alta de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,026. Essa movimentação refletiu os resultados de outra pesquisa de intenção de voto para o segundo turno. No mercado internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a moedas importantes, permaneceu estável.

O Ibovespa apresentou queda significativa de 0,86%, influenciado principalmente pelo desempenho das ações da WEG, que recuaram 7,33% após o balanço do terceiro trimestre ter ficado abaixo das expectativas.

Gustavo Trotta, especialista da Valor Investimentos, comenta que o resultado da WEG não foi ruim, mas não atendeu às expectativas do mercado, que espera crescimento e margens elevadas para uma empresa com o valor negociado atual.

Mais de 60% da receita da WEG é obtida no exterior e, embora as vendas em dólares tenham crescido quase 15% no trimestre, a conversão para reais foi de pouco mais de 8% devido à variação cambial. Além disso, custos como o cobre mais caro, tarifas nos Estados Unidos e fábricas novas pressionam as margens da empresa.

Trotta ainda explica que a entrada de recursos na Bolsa tem favorecido empresas ligadas aos juros e ao consumo. Por isso, a WEG, que tem receita em moeda estrangeira e é vista como proteção, acaba perdendo espaço para investimentos em outras áreas.

No cenário político, a pesquisa Quaest indica que o senador Flávio Bolsonaro tem 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 44%, mostrando empate técnico entre os candidatos.

Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, afirma que o mercado esperava que a pesquisa confirmasse vantagem do senador, o que influenciou a alta recente da Bolsa, que vem de uma forte valorização impulsionada pelo chamado trade eleitoral.

A expectativa de mudança no comando político tem reforçado ativos brasileiros diante da possibilidade de ajuste fiscal mais rigoroso associado à vitória do senador.

Após o primeiro turno, o Ibovespa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez, o dólar caiu para menos de R$ 5 e os juros futuros caíram significativamente.

Vitor Kayo, economista da Nomad, comenta que a moeda americana ganhou força após a pesquisa mostrar disputa apertada, o que fez os investidores buscarem proteção a poucos dias do segundo turno. Também aguardam a nova pesquisa Datafolha que será divulgada à noite.

No fechamento do mercado de juros futuros, os contratos para janeiro de 2028 foram negociados a 12,775%, estáveis em relação ao pregão anterior. Para 2035, a taxa ficou em 12,740%, com leve alta.

Nos Estados Unidos, as bolsas de valores fecharam em alta, impulsionadas por resultados positivos no setor de tecnologia. O Dow Jones subiu 0,69%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Nasdaq cresceu 1,05%.

Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos da Avenue, destaca os bons resultados da Super Micro e da SpaceX. A SpaceX registrou lucro acima de US$ 4 bilhões, bem maior do que o esperado, o que fez suas ações avançarem no pré-mercado.

Por outro lado, as ações da Netflix caíram mais de 5%, mesmo com resultados em linha com o esperado, pois as projeções para o próximo trimestre foram abaixo das expectativas, o que tem pressionado as ações.

No mercado de petróleo, os preços seguem subindo devido às incertezas no Oriente Médio. Por volta das 17h18, o barril era negociado a US$ 109,90, alta de 1,02%.

Os títulos públicos americanos, os Treasuries, tiveram pouca variação. O rendimento dos papéis de 10 anos ficou em 5,123%, e dos de 30 anos, em 5,414%, valores semelhantes ao fechamento anterior. Esses rendimentos influenciam o custo do crédito globalmente.

A próxima reunião do Federal Reserve (Fed) está marcada para os dias 27 e 28 de outubro. A maior parte do mercado aposta na manutenção das taxas de juros nessa reunião, com expectativa de possível alta apenas em dezembro. Segundo a ferramenta FedWatch, 85,1% dos investidores esperam que as taxas permaneçam estáveis, enquanto 14,9% projetam aumento para a faixa entre 4% e 4,25%.

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