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Economia

Dólar cai após sequência de altas, mas permanece acima de R$ 5,20; Bolsa cai pelo décimo dia seguido

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

São Paulo, 17 – Depois de subir em todas as sessões da semana passada, acumulando alta de 2,68% e atingindo o maior fechamento desde 30 de março, o dólar voltou a cair no mercado local nesta segunda-feira, 17. Especialistas apontam que o cenário externo positivo para moedas de países emergentes permitiu uma recuperação técnica do real, que teve um dos melhores desempenhos entre as moedas mais negociadas no dia.

Na parte da manhã, o dólar chegou a se aproximar do valor de R$ 5,18, alcançando a mínima de R$ 5,1813, mas diminuiu o ritmo de queda ao longo da tarde, acompanhando o mercado internacional, principalmente pela alta das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano em meio à valorização do petróleo.

O barril de Brent para outubro ultrapassou US$ 90, subindo 2,65%, devido ao aumento das tensões no Oriente Médio. Essa elevação do risco global pesa mais na cotação do câmbio do que uma possível melhora nos termos de troca do Brasil com a valorização das commodities.

Após oscilar próximo a R$ 5,20 nas últimas horas do pregão, o dólar à vista fechou em queda de 0,36%, cotado a R$ 5,2012. Em agosto, a moeda americana subiu 2,58% ante o real, depois de recuar 1,79% em julho. No acumulado do ano, a desvalorização é de 5,24%.

Segundo o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, na semana passada houve um ajuste na posição dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil, diante da proximidade da eleição presidencial, o que fez a bolsa cair e o dólar subir.

“O futuro da moeda vai depender bastante se o Banco Central continuará cortando os juros. Eu acredito que isso aconteça até o fim do ano”, destaca, lembrando que indicadores recentes mostram perda de força na atividade econômica e na inflação. “Nos Estados Unidos, creio que o Federal Reserve não vai aumentar os juros este ano, e se o fizer, isso será negativo para o real.”

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta manhã mostrou queda de 0,64% em junho na comparação com maio, indicando uma desaceleração econômica, segundo economistas entrevistados pelo Broadcast.

No cenário eleitoral, Bacelar prevê momentos difíceis para o real independente do resultado da eleição presidencial. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode trazer desafios fiscais, pressionando o câmbio. Já uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL), com um ajuste fiscal mais forte, pode abrir caminho para redução da taxa Selic, o que diminuiria o atrativo do real.

“Se a oposição vencer, teremos uma estrutura com política fiscal mais rigorosa e política monetária mais flexível, o que tende a desvalorizar a moeda”, explica o gestor, referindo-se ao ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, do governo anterior.

Além disso, o Banco Central atuou no câmbio vendendo contratos e linhas de dólar com compromisso de recompra para rolar vencimentos em setembro.

O índice DXY, que mede o dólar frente a outras seis moedas fortes, operava em leve queda, refletindo as expectativas do mercado em relação à política monetária dos Estados Unidos.

A tendência é que a ata da reunião do Federal Reserve prevista para 19 de julho confirme a divisão de opiniões dentro do banco central dos EUA sobre a necessidade de aumento dos juros ainda este ano, com alguns membros favoráveis e outros não.

O economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, ressalta que a posição dos dirigentes moderados pode ganhar força após dados econômicos mais fracos nos EUA.

Bolsa

O Ibovespa tentou se recuperar no final do pregão, mas fechou próximo da estabilidade. A leve queda do dia marcou a 10ª sessão consecutiva de baixa, influenciada pela saída de investidores estrangeiros, balanços fracos do segundo trimestre e incertezas eleitorais.

Desde o pico de abril, o índice acumula queda de 16%, apesar do desempenho positivo de ETFs de mercados emergentes no período.

O cenário internacional, marcado por tensões entre EUA e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, pressiona o petróleo para altas constantes, o que preocupa mercados com relação à inflação global.

Gustavo Harada, CIO da Blackbird Investimentos, destaca que a saída de capital estrangeiro é motivada tanto pelo risco internacional quanto pela situação fiscal e política do Brasil.

Os juros elevados também afetam negativamente as condições financeiras das empresas, que apresentaram resultados fracos no segundo trimestre.

Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, aponta que a percepção de risco maior com o Brasil faz os investidores cobrarem um prêmio maior para investir.

Os dados do IBC-Br indicam uma perda de força da economia, possivelmente abrindo espaço para cortes de juros, mas a decisão também depende do cenário fiscal e das expectativas de inflação.

“A bolsa talvez não caia muito mais do que já caiu, pois já está com um desconto significativo em relação à média histórica”, comentou um analista de grande corretora, sob anonimato.

Taxas de juros

Os contratos de juros DI tiveram recuperação parcial durante a tarde, mesmo assim permanecendo abaixo dos níveis anteriores, influenciados pela alta do petróleo acima de US$ 90 o barril e pela divulgação de dados econômicos mais fracos.

A expectativa para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro permanece majoritariamente voltada para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic.

Os preços do petróleo subiram devido à ausência de acordo para liberação do tráfego no Estreito de Ormuz e às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de intensificar o conflito no Oriente Médio.

Ricardo Espindola, superintendente da Porto Asset, comentou sobre o cenário de desaceleração da atividade econômica evidenciado pelos números de crédito e outros dados recentes.

As probabilidades indicam 77% de chance para um corte de juros em setembro, enquanto a manutenção da taxa atual tem 22% de probabilidade.

Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, ressalta que o Banco Central dos EUA avalia riscos domésticos e externos, especialmente ligados ao preço do petróleo, ao definir sua política monetária.

Estadão Conteúdo

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