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Divorciados têm mais chances de ter demência, diz estudo

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Pesquisa com mais de 15 mil idosos nos EUA indica que divorciados apresentaram mais índices da doença do que casados

Doenças mentais: pesquisa sugere que indivíduos casados têm menos chances de desenvolver demência (Jeff Belmonte/Wikimedia Commons)

São Paulo – Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, apontou que a demência, doença crônica que afeta pessoas de diversas idades, pode estar relacionada ao estado civil dos indivíduos.

Publicada na revista The Journals of Gerontology, a pesquisa informou que pessoas que se divorciaram apresentam cerca de duas vezes mais chances de desenvolverem algum tipo de demência do que os que permaneceram casados. Hui Liu, professor de sociologia da Universidade e um dos autores do estudo, disse que o número de idosos que se separam no país está aumentando e, com isso, os índices da doença também

Para realizar o estudo, Liu e sua equipe recolheram dados do levantamento nacional denominado Health and Retirement Study, de 2000 até 2014. O levantamento media, a cada dois anos, as funções cognitivas de mais de 15 mil indivíduos acima dos 52 anos. As habilidades de memória, atenção, fala e outras eram avaliadas pessoalmente ou via chamada de voz.

Para facilitar, a equipe de Michigan dividiu os indivíduos que não eram casados em quatro categorias: divorciados, viúvos, nunca casaram ou apenas moram juntos. Com isso, perceberam que a taxa de indivíduos com a doença era maior na categoria dos divorciados.

Os pesquisadores também descobriram que os diferentes recursos econômicos respondem, em parte, pelo maior risco de demência entre os entrevistados das categorias divorciados, viúvos e nunca casados, mas não poderiam ser responsáveis ​​pelo maior risco nos que moram juntos. Além disso, fatores relacionados à saúde, como comportamentos e condições crônicas, influenciaram o risco entre os divorciados e os casados, mas não pareciam afetar outros estados conjugais.

“Essas descobertas serão úteis para formuladores de políticas de saúde e profissionais que buscam identificar melhor as populações vulneráveis ​​e planejar estratégias eficazes de intervenção para reduzir o risco de demência”, disse Liu no estudo.

 

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Estudo contesta uso de maconha no tratamento de dependentes de cocaína

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Pesquisadores da USP acompanharam dependentes de cocaína e crack em reabilitação e observaram maior índice de recaída e pior funcionamento cognitivo

Maconha: pesquisadores da USP acompanharam dependentes químicos por seis meses (OpenRangeStock/Getty Images)

Pesquisa brasileira publicada na revista Drug and Alcohol Dependence contesta o uso recreativo de maconha como estratégia de redução de danos para dependentes de crack e cocaína em reabilitação. Dados do artigo indicam que o consumo da erva piorou o quadro clínico dos pacientes em vez de amenizar, como esperado, a ansiedade e a fissura pela droga aspirada ou fumada em pedra (crack).

O estudo acompanhou um grupo de dependentes por seis meses após a alta da internação voluntária de um mês no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP). Os pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) e do Laboratório de Neuroimagem dos Transtornos Neuropsiquiátricos (LIM-21) da Faculdade de Medicina da USP constataram que a maconha prejudica as chamadas funções executivas do sistema nervoso central, relacionadas, entre outras atividades, com a capacidade de controlar impulsos.

“Nosso objetivo é garantir que políticas públicas para usuários de drogas sejam baseadas em evidências científicas. Quando as políticas de redução de danos foram implementadas no Brasil, para usuários de cocaína e crack, não havia comprovação de que seriam benéficas. Os resultados deste estudo descartam completamente essa estratégia para dependentes de cocaína”, disse Paulo Jannuzzi Cunha, autor do artigo.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador do LIM-21 foi bolsista de pós-doutorado da FAPESP.

Foram incluídos na pesquisa 123 voluntários divididos em três grupos: dependentes de cocaína que fizeram uso recreativo da maconha (63 pessoas), dependentes de cocaína que não consumiram a erva (24) e grupo controle (36), composto por voluntários saudáveis e sem histórico de uso de drogas.

Um mês após receberem alta, 77% dos dependentes de cocaína que fumaram maconha mantiveram a abstinência. Já entre aqueles que não fizeram uso de maconha, 70% não tiveram recaídas.

Mas três meses após a internação a situação se inverteu e a estratégia de redução de danos mostrou-se pouco efetiva. Entre os que não fumaram maconha, 44% permaneceram sem recaídas, enquanto só 35% dos que fizeram uso recreativo da maconha mantiveram-se abstinentes. Ao fim dos seis meses de acompanhamento, permaneceram sem recaídas 24% e 19% dos voluntários, respectivamente, mostrando que os pacientes que usavam maconha acabaram recaindo mais no longo prazo.

“Os resultados desbancam a hipótese de que o uso recreativo de maconha evitaria recaídas e ajudaria na recuperação de dependentes de cocaína. Um quarto daqueles que não fumaram maconha conseguiu controlar o impulso de usar cocaína, enquanto só um quinto não teve recaída entre os que supostamente se beneficiariam da estratégia de redução de danos. O uso pregresso de maconha não traz melhoras de prognóstico no longo prazo, o estudo até sugere o contrário”, disse o psiquiatra Hercílio Pereira de Oliveira Júnior, primeiro autor do artigo.

Prejuízo cognitivo

De acordo com os resultados, os dois grupos de dependentes de cocaína em reabilitação apresentaram déficits neurocognitivos importantes em tarefas que incluíam memória operacional, velocidade de processamento, controle inibitório, flexibilidade mental e tomada de decisão, quando comparados ao grupo controle.

Porém, aqueles que fizeram uso recreativo de maconha apresentaram resultados ainda piores em relação às chamadas funções executivas – relacionadas à capacidade de sustentar a atenção em determinados contextos, memorizar informações e elaborar ou planejar comportamentos mais complexos. Também apresentaram lentidão no processamento mental e maior dificuldade para frear impulsos.

Durante todo o projeto foram realizados testes cognitivos e exames de neuroimagem. Os voluntários também fizeram exames de urina para verificar o eventual uso de drogas.

“Um dos limitadores do nosso estudo foi a impossibilidade de analisar o tipo de maconha usada pelos voluntários. Era a droga que eles consumiam em casa ou no seu contexto social”, disse Cunha.

Um preparado de maconha é composto por pelo menos 80 tipos diferentes de canabinoides. Dois deles têm maior relevância: o THC, associado aos efeitos de relaxamento da droga, à dependência e a danos neurológicos; e o canabidiol, que poderia modular os efeitos do THC. “Nosso trabalho não envolveu uma avaliação específica dos possíveis efeitos do canabidiol, que pode até ter potencial terapêutico, mas se apresenta em proporção muito menor na maconha fumada e é muito difícil de ser extraído puro da Cannabis”, disse.

Dados do artigo também indicam que, quanto mais precoce foi o uso de maconha e cocaína na vida dos dependentes, maiores as chances de recaída durante a reabilitação por cocaína.

“Trabalhos anteriores demonstraram que a precocidade prejudica o neurodesenvolvimento e a organização de importantes redes neurais no cérebro. Portanto, a exposição precoce à maconha teria um prognóstico pior não só em relação à própria maconha, como também a outras substâncias”, disse Oliveira Júnior.

“Esse dado é preditivo e sugere o impacto negativo da maconha e da cocaína no processo de maturação cerebral e na caracterização de um pior prognóstico da doença”, disse Oliveira Júnior.

Redução de danos

O uso de substâncias como a metadona (narcótico do grupo dos opioides) tem sido considerado uma estratégia de redução de danos eficaz na reabilitação de dependentes de heroína e outras drogas injetáveis, atingindo, desde os anos 1990, determinado sucesso em diferentes países.

Com base nos resultados com dependentes de heroína, trabalhos anteriores não controlados vinham sustentando a hipótese de que o uso recreativo da maconha poderia ser também uma estratégia eficaz na redução da fissura em dependentes de cocaína e crack. “Isso resultou, inclusive, na implementação de organizações na área de redução de danos e políticas públicas que indicavam o uso da maconha fumada como estratégia para redução da ansiedade e fissura pelo uso de cocaína. Nosso estudo contradiz esse tipo de estratégia”, disse Oliveira Júnior.

Cunha explica que a diferença de resultados na política de redução de danos entre usuários de heroína e cocaína ou crack se dá pelas peculiaridades de cada droga. “A abstinência por heroína traz sintomas corporais, fisiológicos e biológicos muito rapidamente. Se o usuário fica sem um opioide, começa a suar frio, passar mal, pode ter convulsões e problemas físicos graves”, disse.

O pesquisador afirma que uma estratégia farmacológica de redução de danos que ajude na remissão dos sintomas e que seja um passo intermediário até que o paciente consiga se manter abstinente é completamente apropriada.

“Já o usuário de cocaína em abstinência vai ter mais sintomas de humor, como irritabilidade e depressão. Pode ter uma depressão logo após cessar o uso, mas nada equiparável aos efeitos físicos observados em usuários de drogas injetáveis. Por isso, nesse caso, são importantes as estratégias comportamentais que ensinam o paciente a lidar melhor com as emoções e o ajudam a se manter sem uso de drogas, sendo bem mais eficientes em longo prazo”, disse.

De acordo com os pesquisadores, as abordagens mais indicadas são terapia cognitivo-comportamental, manejo de contingências (reforço de comportamentos desejáveis) e o tratamento médico-psiquiátrico de eventuais doenças associadas, como depressão, transtornos de ansiedade e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

Esses transtornos mentais tendem a ocorrer, em muitos casos, paralelamente à dependência química e prejudicam a aderência ao tratamento e a recuperação do paciente. “Um tratamento integrado e com base em evidências científicas tem mais chance de apresentar eficácia no médio e longo prazo. Além do atendimento multidisciplinar, é indicada a participação em grupos de apoio formados por ex-usuários”, disse Cunha.

No que concerne à internação, o grupo do LIM-21 defende que seja feita apenas durante o período de desintoxicação dos dependentes químicos. Cunha enfatiza a importância de a reabilitação ser conduzida em caráter voluntário e sem isolar o paciente da sociedade, tendo em vista que se trata de um processo passível de recaídas.

“Buscamos fazer um trabalho de fortalecimento para que ele enfrente os problemas reais e no seu próprio contexto de moradia, aprendendo estratégias para desvencilhar-se da tentação de usar a droga novamente. Longas internações, além de custosas financeiramente, tiram o paciente da realidade e não garantem que, ao sair da reclusão, não terá recaídas”, disse.

O artigo Distinct effects of cocaine and cocaine + cannabis on neurocognitive functioning and abstinence: A six-month follow-up study (doi: 10.1073/pnas.1904384116), de Hercílio Pereira de Oliveira Junior, Priscila Dib Gonçalves, Mariella Ometto, Bernardo dos Santos, André Malbergier, Ricardo Amaral, Sergio Nicastri, Arthur Guerra de Andrade e PauloJannuzzi Cunha pode ser lido em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0376871619304193?dgcid=raven_sd_aip_email.

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Ciência

Estudo liga síndrome de burnout com batimento cardíaco irregular

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Nova pesquisa aponta relação entre exaustão vital e fibrilação atrial, que causa batimentos cardíacos irregulares

Síndrome de burnout: estudo aponta ligação da condição com problemas cardíacos (Skynesher/Getty Images)

São Paulo – A síndrome de burnout, um distúrbio psíquico normalmente associado com a vida profissional, é identificada quando o indivíduo está com sintomas de cansaço, falta de energia e estresse recorrentes, seja no trabalho ou em casa. Diferentemente de casos de depressão, a síndrome de burnout é caracterizada por exaustão vital e pode ser a causa de um quadro clínico de frequência cardíaca irregular, que pode vir a ser fatal. É isso que mostra uma pesquisa feita por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia e publicada no periódico científico European Journal of Preventive Cardiology.

Chamada de fribilação atrial, essa condição aumenta os riscos de ataque cardíaco e é a forma mais comum de arritmia cardíaca. Junto com sua equipe, Parveen K. Garg, cardiologista e professor da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, analisou indicadores de mais de 11 mil indivíduos, como os níveis de exaustão, raiva, uso de antidepressivos e baixo apoio social durante cerca de 25 anos, para compreender o desenvolvimento da fibrilação atrial.

Os participantes que demonstraram níveis mais altos de exaustão também apresentaram um risco 20% maior de desenvolver a condição cardíaca, quando comparados com os que tiveram pouca evidência dos sintomas de burnout. O estudo apontou que o sofrimento psicológico, gerado tanto por situações profissionais quanto familiares, é um possível fator de risco para a fibrilação atrial – no entanto, essa é a primeira vez que os resultados para a comparação são mais positivos do que mistos.

Ainda que sejam necessários mais estudos para comprovar a relação apontada, Garg apontou que os dois fatores, quando crônicos, podem prejudicar o tecido cardíaco e ocasionar o desenvolvimento da condição: “A exaustão vital está associada ao aumento da inflamação e à ativação aumentada da resposta fisiológica ao estresse do corpo. Quando essas duas coisas são acionadas cronicamente, elas podem ter efeitos sérios e prejudiciais no tecido cardíaco, o que pode levar ao desenvolvimento dessa arritmia”, comenta, em nota, o médico.

No entanto, o único sintoma que apresentou uma relação com a fibrilação atrial foi exaustão – raiva, uso de antidepressivos e falta de suporte social não apresentaram conexões. “As descobertas de raiva e apoio social são consistentes com pesquisas anteriores, mas dois estudos anteriores encontraram uma associação significativa entre o uso de antidepressivos e um risco aumentado de fibrilação atrial. Claramente, ainda há muito trabalho a ser feito”, complementou o autor do estudo.

 

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Ciência

Empresa oferece congelamento de cérebros para possível futura imortalidade

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A russa KrioRus cobra US$ 36 mil para congelar o corpo inteiro; especialistas classificam empresa como “puramente comercial e sem base científica”

Cérebro: empresa oferece congelamento de corpos para caso a ciência descubra forma de reviver os mortos (Arquivo/Getty Images)

Quando a mãe de Alexei Voronenkov faleceu, ele pagou para congelar o cérebro dela e armazená-lo na esperança de que descobertas científicas possam um dia trazê-la de volta à vida.

Ele é um dos 71 cérebros e cadáveres humanos – que a empresa russa KrioRus chama de “pacientes” -que flutuam em nitrogênio líquido em um dos tanques de vários metros de altura em um galpão nos arredores de Moscou.

Eles são armazenados a 196 graus Celsius negativos com o objetivo de protegê-los contra a deterioração, embora atualmente não haja evidências de que a ciência será capaz de reviver os mortos.

“Fiz isso porque nós éramos muito próximos e acho que é a única chance de nos encontrarmos no futuro”, disse Voronenkov, que pretende se submeter ao procedimento, conhecido como criogenia, quando morrer.

O chefe da Comissão de Pseudociência da Academia Russa de Ciências, Evgeny Alexandrov, descreveu a KrioRus como “uma empresa exclusivamente comercial que não possui nenhuma base científica”, em comentários ao jornal Izvestia.

É “uma especulação fantasiosa sobre as esperanças das pessoas em ressuscitar os mortos e sonhos de vida eterna”, afirmou ao jornal.

Valeriya Udalova, diretora da KrioRus, que congelou seu cachorro quando ele morreu em 2008, disse que é provável que a humanidade desenvolva a tecnologia para reviver pessoas mortas no futuro, mas que ainda não há garantia que funcione.

A KrioRus diz que centenas de clientes em potencial de quase 20 países se inscreveram no seu serviço de pós-morte.

Congelar o corpo inteiro custa 36 mil dólares e 15 mil dólares apenas para o cérebro se o cliente for russo. Os preços são um pouco mais altos para estrangeiros.

A empresa diz que é a única do setor na Rússia e região. Criada em 2005, a KrioRus possui pelo menos duas concorrentes nos Estados Unidos, onde a prática existe há ainda mais tempo.

Voronenkov disse que depositou suas esperanças na ciência. “Espero que um dia atinjamos um nível em que possamos produzir corpos e órgãos artificiais para criar um corpo no qual o cérebro de minha mãe possa ser integrado.”

A diretora da KrioRus, Udalova, argumenta que os que pagam para ter os restos mortais de seus parentes preservados estão mostrando quanto os amam.

“Eles tentam ter esperança”, disse ela. “O que podemos fazer por nossos parentes próximos da morte ou por quem amamos? Um bom enterro, um álbum de fotos”, disse ela. “Eles vão além, provando seu amor ainda mais.”

 

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