Em setembro de 2026, a dívida pública federal alcançou o montante de R$ 9,3 trilhões, registrando um aumento de 0,97% em comparação ao mês anterior, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional. O crescimento foi impulsionado pela apropriação positiva de juros, que totalizou R$ 89,46 bilhões, além da emissão líquida de R$ 76 milhões.
Esses valores colocaram o estoque da dívida federal acima dos limites projetados no Plano Anual de Financiamento para 2026, que previa um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para o ano.
O prazo médio para refinanciamento da dívida permaneceu em 4,10 anos, dentro dos limites estipulados no mesmo plano, que variam entre 3,8 e 4,2 anos.
O que é a dívida pública federal?
A dívida pública federal é contraída pelo Tesouro Nacional para cobrir o déficit orçamentário do governo, que ocorre quando os gastos superam as receitas. Ela pode ser classificada de acordo com a forma de emissão e o tipo de moeda utilizada nos pagamentos e recebimentos.
A emissão líquida corresponde à diferença entre o valor dos títulos emitidos pelo governo e os títulos resgatados. Já a apropriação positiva de juros acontece quando o retorno obtido pelos investimentos em títulos é maior do que os juros pagos aos credores da dívida.
Em 2025, o estoque total da dívida pública federal foi de R$ 8,6 trilhões.
Composição da dívida
Mais da metade da dívida está associada à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Em setembro, a distribuição da dívida ficou assim:
- Taxa Flutuante (Selic): 51,60%;
- Índices de Preços (IPCA): 23,59%;
- Prefixados (com rendimento definido no momento da emissão): 21,14%;
- Câmbio: 3,67%.
Instituições financeiras são os maiores detentores da dívida, com participação de 31,33%, seguidas pelos fundos de investimento (22,93%) e pela previdência social (22,41%). Outros participantes incluem não residentes, seguradoras, o próprio governo e outros grupos, com percentuais menores.
Reserva para pagamento
Em setembro, a reserva financeira para o pagamento da dívida, conhecida como “colchão”, aumentou 5,33%, passando de R$ 1,20 bilhão para R$ 1,27 bilhão. Esse valor está aplicado na Conta Única do Tesouro Nacional no Banco Central e é suficiente para cobrir aproximadamente 7,7 meses de vencimentos de títulos.

