Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, revelou em depoimento à Polícia Federal que o BC enfrentou vazamentos contínuos de informações internas durante a análise do Banco Master. Ele afirmou que tanto ele quanto o presidente do BC, Gabriel Galípolo, não confiavam em ninguém naquela época.
O depoimento sigiloso, prestado no dia 25 de maio, aconteceu no contexto das investigações sobre suspeitas de corrupção envolvendo os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Segundo Ailton de Aquino, Galípolo o incumbiu de investigar essas suspeitas após receber informações anônimas de que os servidores teriam recebido propina do empresário Daniel Vorcaro.
Paulo Sérgio e Belline negam irregularidades. A defesa de Paulo Sérgio afirmou que ele sempre atuou com rigor técnico e jamais recebeu qualquer vantagem indevida, enquanto a defesa de Belline também nega favorecimento ao Banco Master.
Durante o depoimento, Ailton de Aquino afirmou que não compartilhou a decisão de liquidar o Banco Master em novembro de 2025 com esses servidores por temer vazamentos. Ele mencionou um ambiente hostil interno no BC, com informações circulando antes mesmo das decisões serem finalizadas.
Ailton explicou que, em uma reunião com Vorcaro, já estava decidido internamente pela liquidação do banco, e que a comunicação da decisão só foi feita no dia seguinte, para evitar vazamentos e garantir a efetividade do procedimento.
Ele também relatou que, apesar da pressão do empresário para obter uma manifestação favorável sobre a venda do banco, não assumiu nenhum compromisso.
Sobre o andamento das investigações, a corregedoria do BC abriu procedimento e afastou os servidores envolvidos.
Defesa de Paulo Sérgio
A defesa do servidor esclareceu que ele nunca recebeu vantagens indevidas. Destacou que as negociações imobiliárias de Paulo Sérgio com uma pessoa ligada a Vorcaro foram legítimas e transparentes, não influenciando seu trabalho técnico na fiscalização do Banco Master, no qual defendeu a liquidação desde março de 2025.
Defesa de Belline Santana
Os advogados de Belline Santana afirmam que suas atividades foram lícitas e técnicas, sem favorecimento ao Banco Master. Ressaltam a importância do contraditório e da apuração justa dos fatos, negando qualquer pagamento ou ação em benefício do banco.
