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sexta-feira, 06/03/2026




DF gastou mais de R$ 3 bilhões com ônibus públicos em 2025

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O Distrito Federal gastou mais de R$ 3 bilhões com o transporte público em 2025, conforme dados divulgados pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF). Desse total, mais de R$ 2,3 bilhões foram bancados pelo Governo do Distrito Federal.

Essas informações estão disponíveis em um portal que mostra dados sobre as empresas de ônibus, linhas, receitas, despesas, viagens, frotas e perfil dos passageiros, criado após a aprovação da Lei 7.836/2025, idealizada pelo deputado Max Maciel (PSOL). A lei exige que esses dados sejam acessíveis a toda a população.

Max Maciel ressaltou que é direito da população saber quanto o sistema custa e como o governo usa o dinheiro destinado ao transporte público, especialmente diante de irregularidades e falta de transparência anteriores. Ele acredita que o novo portal ajuda a sociedade a acompanhar e exigir melhorias no serviço.

O secretário da Semob, Zeno Gonçalves, explicou que embora as informações já estivessem disponíveis em sites oficiais do governo, estavam dispersas. O novo portal foi criado para melhorar a transparência e facilitar o acesso a esses dados.

Segundo Zeno, o governo subsidia uma parte importante dos custos para manter o preço da passagem acessível. Ele comparou com o sistema de transporte da região do Entorno do DF, onde as passagens são mais caras pois não recebem subsídios.

No Entorno, os preços das passagens variam de R$ 5,18, em Valparaíso, até R$ 12,35 em Luziânia. Recentemente foi aprovado um reajuste de 2,546% pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Dados do transporte público

Atualmente, 19 empresas operam linhas de ônibus na capital, incluindo as principais: Viação Pioneira, Urbi Mobilidade Urbana, Viação Piracicabana, Expresso São José, Auto Viação Marechal e o Metrô-DF. Ao todo, existem cerca de 986 linhas em operação.

Analisando as cinco maiores empresas, o custo total foi de R$ 2,9 bilhões, com 338 milhões de viagens realizadas, dos quais R$ 2,2 bilhões foram pagos pelo governo e R$ 706 milhões pelos usuários.

Os principais meios de acesso ao transporte foram cartão mobilidade (114 milhões), vale transporte (67 milhões), passe livre estudantil (60 milhões), pagantes (29 milhões), usuários gratuitos (26 milhões) e idosos (15 milhões).

Os benefícios concedidos gratuitamente custaram cerca de R$ 977 milhões, sendo o passe livre estudantil o maior deles, com um custo de R$ 553,7 milhões, além dos benefícios para idosos, pessoas com deficiência e vítimas de violência doméstica.

O governo cobra uma tarifa técnica maior que o valor pago pelo usuário. Por exemplo, enquanto a passagem da Viação Marechal custa R$ 5,50, o custo real para operar é de R$ 11,33. As tarifas no DF estão congeladas até o final de 2026, nos valores de R$ 5,50, R$ 3,80 e R$ 2,70, permitindo que usuários façam até três viagens por meio do cartão mobilidade pagando o valor maior.

Outras tarifas técnicas são R$ 10,74 na São José, R$ 9,96 na Urbi, R$ 8,96 na Piracicabana e R$ 8,19 na Pioneira.

O Metrô-DF teve mais de 41 milhões de acessos em suas 27 estações em 2025. A estação mais movimentada é a Central, com 5,5 milhões de usuários, enquanto a 110 Sul teve o menor número com 353 acessos.

Desafios para os trabalhadores

Daniel de Souza, que trabalha em uma empresa de transporte, comenta que apesar dos altos investimentos, os motoristas enfrentam problemas no dia a dia, como atrasos e o estresse causado pelo trânsito intenso. Ele sugere que aumentar a frota de ônibus ajudaria a melhorar o atendimento à população e a qualidade de vida dos rodoviários, evitando turnos duplos e reduzindo o estresse.

Dificuldades dos usuários com deficiência

Caroline Belfort, cadeirante e usuária do transporte público, relata que pessoas com deficiência ainda enfrentam muitos obstáculos. Embora muitos ônibus tenham elevadores, falta conscientização de motoristas e passageiros, o que causa atrasos e dificuldades no embarque.

Ela também afirma que, apesar dos investimentos elevados, o serviço ainda apresenta muitos problemas e que os recursos poderiam ser usados para melhorar a qualidade do transporte.




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