Na segunda-feira, quando o Brasil comemora 204 anos de independência, há dois eventos importantes com mensagens diferentes. De um lado, o Palácio do Planalto organiza a cerimônia oficial de forma neutra, sem viés eleitoral. De outro, a oposição ligada ao bolsonarismo usa o feriado para protestar contra o Judiciário e o governo.
No Centro de Brasília, o desfile cívico-militar com a presença do presidente Lula segue um roteiro pensado para evitar problemas legais. Começa às 9h e dura cerca de duas horas, com foco em três temas: a defesa da soberania do país, o combate à violência contra mulheres e a preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, além das atividades das Forças Armadas.
O tema escolhido, “Soberania: A Força que Une o Brasil”, está relacionado à recente disputa comercial entre Brasília e Washington, que Lula tem usado para mostrar a resistência do Brasil a pressões externas. O desfile inclui jogadoras que fizeram parte da primeira seleção feminina de futebol do Brasil e mensagens contra a violência de gênero. Estão presentes Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin e outros membros do governo, e o evento é aberto ao público.
O cuidado com a neutralidade é intencional, pois a Advocacia-Geral da União, liderada por Jorge Messias, revisou toda a organização para evitar acusações de uso político indevido da data. Por isso, a orientação é clara: não usar vermelho nem adesivos com o número 13 perto do desfile.
Há um histórico recente que justifica essa preocupação. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral puniu Jair Bolsonaro por abuso de poder político e econômico durante as comemorações do Bicentenário da Independência em 2022, o que o torna inelegível até 2030, junto com o general Walter Braga Netto.
Um protesto na Paulista
Em São Paulo, a Avenida Paulista será palco de um ato político a partir das 15h, inicialmente chamado “É Agora ou Nunca”, mas depois renomeado para “Fora Lula, Fora Moraes”. Este protesto foi motivado por recentes revelações de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O ato é liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, que repete o roteiro de protestos anteriores nesta avenida, onde seu pai costumava reunir multidões. O grupo quer usar a situação para reanimar sua base, que tem mostrado menos mobilização em relação a campanhas passadas.
Para os apoiadores, o ministro Alexandre de Moraes é o principal inimigo institucional do bolsonarismo, pois foi ele quem conduziu o processo que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Com a divulgação do relatório da Polícia Federal sobre as conversas com Vorcaro, Flávio Bolsonaro intensificou o pedido para que Moraes deixe o cargo e seja investigado.
Contudo, aliados admitem que o foco em Moraes tem desviado atenção de outro tema delicado para a campanha: as investigações sobre o filme Dark Horse. A ligação do senador com Vorcaro é vista como um risco político que permanece, abordado pela Polícia Federal e por uma outra comissão com a participação de Flávio Dino, que investiga o uso de emendas parlamentares relacionadas à produtora do filme.
A presença da terceira via
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, outros candidatos também aproveitam o feriado para se mostrarem. Augusto Cury, do Avante, que tem subido em pesquisas, organiza uma caminhada na orla de Copacabana, começando às 9h no Posto 6 e seguindo até o Posto 5, onde fará um discurso. O evento se chama “Caminhada da Independência Cury Brasil”.
Ronaldo Caiado (PSD) concentra suas atividades em Goiás, sua base política, enquanto Romeu Zema (Novo) programa um ato em São Paulo, sem muitos detalhes divulgados. Já a campanha de Renan Santos (Missão) não confirmou participação em eventos públicos neste feriado.


