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Brasil

Flávio Bolsonaro quer aumentar irrigação no Cerrado mesmo com rios secando

Daniel Ramalho/AFP

Flávio Bolsonaro anunciou que, se eleito presidente, deseja ampliar o uso da água para irrigar plantações, especialmente na região do Matopiba, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Esta área é um polo agrícola, mas também enfrenta a redução da vazão dos rios e o desaparecimento de nascentes, problemas causados pela atividade agrícola intensa.

No seu plano de governo, Flávio Bolsonaro promete expandir bastante a área irrigada no país, que atualmente utiliza apenas uma pequena parte do seu potencial. Ele também pretende simplificar a autorização para retirar água dos rios e desenvolver novas zonas de irrigação no Matopiba e no semiárido nordestino.

O cerrado é a origem de grande parte das bacias hidrográficas do Brasil, mas a expansão do uso da água para áreas de soja, milho e algodão tem afetado a quantidade de água disponível nos rios.

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Estudos indicam que, entre 1986 e 2018, a área irrigada por pivôs centrais no oeste da Bahia, região importante para a agricultura, aumentou significativamente, enquanto o volume do rio Pratudão caiu em 38%.

Essa água é captada em áreas mais altas onde ficam as grandes plantações, mas a escassez aparece nos vales, onde vivem comunidades tradicionais, dificultando a ligação direta entre o aumento da agricultura e o problema hídrico.

Yuri Salmona, diretor do Instituto Cerrados, alerta que não há espaço para acelerar as autorizações para captação de água, especialmente em regiões com clima seco, pois as regras atuais já são muito brandas e pouco fiscalizadas.

Um levantamento recente mostrou que no oeste da Bahia foram dadas 835 autorizações para retirar água entre 2007 e 2022 – quantidade suficiente para sustentar sete vezes toda a população do estado diariamente.

O Ministério Público Federal entrou com um pedido para mudar a forma como a água e o meio ambiente são geridos na região, buscando proteger o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, ameaçado pelo desmatamento e uso excessivo dos recursos hídricos.

O uso intensivo da agricultura em larga escala tem causado a queda de até 50% no fluxo de rios e veredas do parque, que são essenciais para manter o rio correndo mesmo na seca.

Além disso, a substituição da vegetação nativa por monoculturas prejudica a retenção de água no solo e a recarga dos aquíferos.

Outro estudo recente apontou que mais da metade dos rios brasileiros estão em risco de perder fluxo por causa da perda da água para aquíferos subterrâneos, devido ao uso excessivo principalmente para irrigação.

A Lagoa do Pratudão

O rio Pratudão, que corta Jaborandi e tem 144 km, é um dos principais da região.

Marcos Beltrão, ativista ambiental que nasceu na região, relata que a lagoa do Pratudão, antes sempre cheia, secou em poucos anos. As imagens de satélite mostram a água diminuindo enquanto as plantações irrigadas aumentam ao redor.

Comunidades locais identificaram milhares de trechos com água seca em rios e nascentes, totalizando milhares de quilômetros de cursos d’água que desapareceram.

Beltrão lembra que muitos moradores são descendentes de pessoas que fugiram da seca buscando um lugar melhor, mas agora teme que a região volte a enfrentar a seca severa, perguntando para onde todos irão se os rios continuarem secando.

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