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Crise Estados Unidos x China aumenta incerteza na economia global

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Disputa entre as duas potências pode travar os investimentos globais nos próximos meses e afetar o Brasil

Embate pode resultar em um fraco crescimento da China, o que é ruim para o Brasil, dizem economistas (Kevin Lamarque/Reuters)

Não bastasse a recessão e o freio no comércio internacional, a pandemia da covid-19 ainda elevou as tensões entre Estados Unidos e China, criando uma fonte de incerteza adicional que pode travar os investimentos globais nos próximos meses e respingar no Brasil.

Uma trégua entre as duas potências havia sido iniciada em dezembro, quando foi anunciada a primeira fase de um acordo que poderia colocar fim à guerra comercial, mas o coronavírus desestabilizou o cenário econômico global e eleitoral americano, reacendendo as faíscas entre Washington e Pequim.

Além de uma desaceleração extra no comércio global – já haverá um primeiro freio brusco desencadeado pela pandemia -, o embate entre os países poderá resultar em um crescimento mais fraco da China nos próximos anos, o que seria negativo para o Brasil no longo prazo, dizem economistas.

Nesta segunda, 22, o mercado chinês é o maior importador de produtos brasileiros, tendo sido responsável pela compra de 39% do total exportado pelo País de janeiro a maio.

“Se os EUA começarem a interferir no que a China está fazendo, a China pode desacelerar de forma geral, o que seria muito ruim para o Brasil. A demanda da China depende de quão rápido ela pode crescer”, diz o economista-chefe do banco MUFG (antigo Banco de Tokyo) na Ásia, Cliff Tan.

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA, a situação entre EUA e China é “muito tensa e vai piorar”. “A relação ficou mais complicada por causa das eleições americanas, depois veio a crise em Hong Kong e o coronavírus. Donald Trump está fazendo da campanha contra a China sua principal plataforma. Joe Biden (candidato democrata à presidência americana) vai fazer a mesma coisa, já que a China é uma ameaça à supremacia dos EUA. Haverá efeito comercial e político nos próximos anos”, diz.

Na última sexta-feira, 19, a notícia de que o governo chinês aceleraria compras de bens agrícolas dos EUA animou o mercado. Tudo indica, no entanto, que essa decisão de Pequim não amenizará a tensão, que está longe do fim. No mesmo dia, o secretário de segurança americano, Mike Pompeo, voltou a culpar a China pela pandemia, com a alegação de que o país escondeu a real situação do coronavírus.

De acordo com o economista Guilherme Martins, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, a escalada do tom de Washington no último mês é “preocupante”. “Achávamos que o acordo entre os países era temporário e que as tensões poderiam voltar nos próximos anos, mas isso aconteceu antes do esperado.”

Segundo cálculos do Itaú, a guerra comercial já retirou, entre 2018 e 2019, de 0,5% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global. O embate comercial foi, portanto, um dos responsáveis pela desaceleração da economia mundial de 3,6% em 2018 para 2,9% no ano passado.

Apesar de os países não terem rompido com a fase um do acordo, a troca de farpas entre Washington e Pequim preocupa por aumentar a imprevisibilidade econômica, segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

“O comércio exterior cresce quando se tem previsibilidade. O risco de uma nova guerra comercial é precificado no valor do seguro, do frete, da venda. A tensão entre os países é um fator de instabilidade super indesejado no momento em que já há redução do comércio”, diz Barral.

Cliff Tan destaca que será difícil observar o impacto da crise EUA-China nos indicadores econômicos. Isso porque a reabertura das economias após o período mais crítico da pandemia resultará em aquecimento da atividade global. “Qualquer impacto adicional de protecionismo no crescimento global será difícil de ver nos dados, porque as coisas vão começar a parecer melhores. Isso não terá a ver com o que Trump estará fazendo no front protecionista.”

Tarifas

Economistas, porém, não acreditam que Trump deva elevar agora as tarifas de importação dos EUA sobre produtos chineses, dado que uma medida dessas teria impacto negativo nas Bolsas americanas e nos preços de importados. Essas consequências poderiam prejudicar a imagem do presidente às vésperas da eleição.

“No pós-eleição, a questão é outra. A agenda de conflito com a China é suprapartidária. Hoje já vemos os democratas assumindo posturas mais fortes em relação ao país”, diz João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual Wealth Management.

Se, após a eleição americana, os países romperem a fase um do acordo, o impacto na economia global será grande, pois uma nova crise surgiria sem que o mundo tenha se recuperado da pandemia, afirma Scandiuzzi. “Reintroduzir essa incerteza tem potencial para voltar a desacelerar a economia global. Seria bastante indesejável.”

Mercado financeiro mundial pode sofrer modificações

A crise entre Estados Unidos e China também deve mudar de forma importante o mercado financeiro global. De acordo com o estrategista-chefe do BTG Pactual Wealth Management, João Scandiuzzi, o mercado chinês pode se fortalecer caso os EUA sigam adiante com a proposta de obrigar empresas estrangeiras listadas em Bolsas americanas a serem auditadas internamente.

A medida já foi aprovada no Senado, mas precisa passar pelos deputados e pelo presidente Donald Trump. O problema é que Pequim proíbe estrangeiros de auditarem companhias chinesas. Isso pode fazer com que empresas chinesas tenham de transferir a negociação de suas ações para o mercado doméstico. “A desintegração financeira dos dois países pode revigorar o mercado chinês e sua hegemonia na Ásia”, diz Scandiuzzi.

O superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, Guilherme Martins, no entanto, acredita que o centro financeiro chinês pode se espalhar, com Hong Kong dividindo as atenções com Xangai e Cingapura. Isso porque, no fim de maio, os EUA afirmaram que vão retirar o status de comércio preferencial de Hong Kong, que garante à região administrativa especial chinesa benefícios comerciais, de investimentos e tributários.

“Com o status, Hong Kong fazia a intermediação entre a Ásia e o resto do mundo. Essa mudança no status prejudicaria todo o fluxo financeiro na região. Mas isso deve ser um processo lento”, acrescenta Martins.

Em meio ao embate entre os países, além da alteração no status de Hong Kong, os EUA deverão criar algumas sanções contra oficiais chineses, proibindo, por exemplo, o acesso deles ao sistema financeiro internacional, diz o economista-chefe do banco MUFG (antigo Banco de Tokyo) na Ásia, Cliff Tan.

“Talvez possam retirar a habilitação de instituições financeiras chinesas para fazerem negócios e operarem nos EUA”, diz Cliff Tan. Por enquanto, Trump já vem exortando fundos de pensão americanos a não investirem em papéis chineses.

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Economia

Impacto da Covid na economia alemã pode ser menor do que o temido

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Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do BCE, parece ter amortecido o impacto da pandemia

Terminal portuário em Haburgo, Alemanha (Fabian Bimmer/Files/Reuters).

 

A Alemanha pode resistir à recessão provocada pela pandemia melhor do que o esperado, sugeriram indicadores do setor privado nesta terça-feira, em um sinal de esperança para a economia que tradicionalmente serve como motor de crescimento da Europa.

Com boa parte da atividade econômica ainda restringida pela Covid-19, o governo da Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do Banco Central Europeu, parece ter amortecido o impacto da pandemia.

A projeção para o Produto Interno Bruto agora é de contração de apenas 5,2% neste ano, disse o instituto Ifo, mais otimista do que sua estimativa anterior de queda de 6,7% e da previsão do banco central de contração de 7,1%.

“O declínio no segundo trimestre e a recuperação estão atualmente se desenvolvendo mais favoravelmente do que esperávamos”, disse o economista-chefe do Ifo, Timo Wollmershaeuser.

Para 2021, o instituto cortou sua previsão de crescimento de 6,4% para 5,1%, mas mesmo isso indica que a economia da Alemanha pode ficar próxima do nível pré-crise ao final do próximo ano. O BCE ainda espera que a zona do euro como um todo precise de mais um ano para compensar o declínio.

Parte da melhoria prevista partiu do consumo inesperadamente resiliente, e a associação de varejo HDE disse que espera que as vendas nominais no varejo cresçam 1,5% este ano, uma revisão para cima acentuada de sua estimativa anterior de queda de 4%.

(Reportagem de Michael Nienaber)

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PIB argentino sofre queda histórica de 19,1% no 2º tri

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Bandeira argentina com a frase: “força, Argentina” em rua com comércio fechado em Buenos Aires. 20 de junho de 2020. (Ricardo Ceppi/Getty Images)

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina registrou contração de 19,1% no segundo trimestre deste ano, em comparação com igual período de 2019, de acordo com cálculos preliminares do Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), divulgados nesta terça-feira, 22.

Em relação ao primeiro trimestre, a atividade econômica teve retração de 16,2%. No semestre como um todo, a queda foi de 12,6%.

Segundo a instituição, o desempenho negativo foi puxado pelos setores de hotéis e restaurantes, que tiveram tombo anualizado de 73,4%, seguido por atividades de serviços comunitários sociais e pessoais (-67,7%).

“As restrições globais à circulação de pessoas com objetivo de mitigar a pandemia de covid-19 afetam a um conjunto significativo de atividades econômicas em todos os países”, destaca o Indec, em relatório.

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Economia

Proposta de reforma administrativa pode ser ampliada, diz secretário

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Segundo o secretário especial de Desburocratização, o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação

Secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade (Leandro Fonseca/Exame)

O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, afirmou nesta terça-feira que o governo optou por não encaminhar uma reforma administrativa que afetasse todos os servidores dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) para evitar o que chamou de “judicialização precoce”, mas ele afirmou que o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação.

“Não mandamos uma reforma (administrativa) pronta, mandamos um arcabouço para que aconteça o que chamamos de uma reforma da nova administração pública”, afirmou Paes de Andrade em live promovida pela corretora Necton.

A proposta de reforma apresentada pela equipe econômica no início deste mês poupou parlamentares, magistrados e militares de medidas destinadas a restringir uma série de benefícios, como férias de mais de 30 dias e aposentadoria compulsória como punição.

 

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Espanha enfrenta problema incomum: como gastar bilhões contra a crise

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Absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio para o país, que não consegue aprovar orçamento anual desde 2016 por causa de uma paralisia política

Madri, Espanha 31/7/2020 (Javier Barbancho/Reuters)

Depois de garantir uma porção generosa dos fundos de recuperação da União Europeia para combate à crise do coronavírus, a Espanha enfrenta um problema inusitado — como fazer uso de todo o dinheiro, disseram fontes do governo à Reuters.

“Esta não é uma crise de dinheiro, é uma crise de ideias”, disse uma das fontes, referindo-se a projetos de investimento concretos para ajudar a economia a sair de uma recessão recorde.

Em um país que não conseguiu aprovar um orçamento anual desde 2016 por causa de uma prolongada paralisia política, a necessidade de absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio, disseram as fontes.

A Espanha foi especialmente atingida pela pandemia. O país registrou mais de 640 mil casos de Covid-19, o maior número de infecções na Europa Ocidental, e a doença matou mais de 30 mil vidas espanholas.

A economia espanhola despencou 18,5% no segundo trimestre, contração superada na Europa apenas pelo Reino Unido.

Para ajudar a Espanha a se recuperar, o país receberá cerca de 140 bilhões de euros em subsídios e empréstimos do pacote de recuperação do coronavírus da UE, de 750 bilhões de euros.

Isso inclui 43 bilhões de euros em subsídios apenas nos próximos dois anos — o equivalente a cerca de 8% das despesas anuais.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

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