O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para decidir sobre a taxa Selic, em meio à alta dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio.
Analistas esperam a primeira redução dos juros em dois anos, prevendo um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 15% ao ano para 14,75% ao ano. Atualmente, a taxa está no nível mais alto desde julho de 2006.
A decisão será divulgada à noite, com a ausência dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, cujos mandatos terminaram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve indicar substitutos ao Congresso em breve.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom indicou o início dos cortes na Selic para março, mas o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã trouxe incertezas, fazendo com que algumas instituições financeiras prevejam adiamento. A pesquisa Focus aponta agora para um corte menor de 0,25 ponto, em vez dos 0,5 pontos previstos anteriormente.
A inflação apresenta comportamento ainda incerto. Em fevereiro, o IPCA avançou 0,7%, pressionado especialmente por gastos com educação, mas caiu para 3,81% em 12 meses, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. A previsão para 2026 aumentou de 3,8% para 4,1% devido ao conflito, aproximando-se do limite máximo da meta de inflação.
A Selic é a principal referência de taxas na economia e o instrumento primordial do Banco Central para controlar a inflação. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, desestimulando gastos e ajudando a conter a inflação. Já a queda na Selic facilita o crédito, impulsiona a produção e o consumo, mas pode aumentar a inflação.
O Copom se reúne a cada 45 dias, dedicando o primeiro dia para análises técnicas do cenário econômico e o segundo para determinar a taxa Selic.
Desde janeiro de 2025, vigora o novo sistema de meta contínua de inflação, com objetivo de 3%, permitindo variação de 1,5 ponto para mais ou para menos. A meta é avaliada mensalmente com base na inflação acumulada em 12 meses. No último relatório, o Banco Central projetava IPCA de 3,5% para 2026, mas essa previsão deve ser atualizada até o fim de março.
