O conflito no Oriente Médio já está afetando os preços dos combustíveis no Distrito Federal. Alguns postos na capital registraram aumentos nos valores, com o diesel subindo cerca de R$ 0,20 por litro e a gasolina em torno de R$ 0,03. Essa alta acontece após ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que aumentaram a tensão na região e influenciaram o mercado mundial de petróleo.
Em uma visita a postos de diferentes áreas da cidade, foi possível notar que o preço da gasolina aumentou de R$ 6,42 para cerca de R$ 6,45 o litro. O diesel, que custava R$ 6,69, chegou a R$ 6,89. Em Águas Claras, a gasolina foi encontrada a R$ 6,49 e o etanol a R$ 5,29. Na Asa Sul, o litro da gasolina era vendido por R$ 6,39, o etanol custava R$ 5,90 e o diesel R$ 5,99.
De acordo com Paulo Tavares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Distrito Federal, as distribuidoras já começaram a repassar esses aumentos no preço em quase todo o país, mesmo sem mudanças oficiais pela Petrobras. Ele explicou que existe uma diferença de preços em relação ao mercado internacional: cerca de 70 centavos a mais na gasolina e R$ 1,60 no diesel, o que levou as distribuidoras a ajustarem os preços.
Paulo Tavares também comentou que o aumento maior no diesel está relacionado à necessidade de importação. O Brasil produz aproximadamente 75% do diesel consumido em suas refinarias, mas os 25% restantes são importados, o que faz o custo subir conforme o mercado externo.
Efeito do conflito
O economista César Bergo, professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília e membro do Conselho Regional de Economia do DF, destacou que conflitos em áreas produtoras de petróleo costumam ter impacto rápido nos mercados globais.
Mesmo com parte do combustível produzida no Brasil, o país é influenciado pelas variações internacionais. Quando um conflito ocorre em uma região estratégica para o petróleo, há uma expectativa de diminuição na oferta ou dificuldades logísticas, o que eleva o preço global do barril e reflete nos preços locais.
César Bergo afirma que o ajuste feito pelas distribuidoras já é um reflexo desse cenário, embora outros fatores também tenham peso na formação dos preços, como câmbio e custo de importação. Ele observa que o conflito aumenta a volatilidade e gera pressão para os reajustes.
Se a situação de conflito persistir, ele não descarta novas altas nos próximos dias, especialmente no diesel, que é mais dependente do mercado externo.
A Petrobras informou que acompanha diariamente o mercado internacional e seus possíveis efeitos para o Brasil, buscando evitar repasses imediatos da volatilidade externa aos preços domésticos. A companhia destaca que sua política visa garantir estabilidade aos consumidores e evitar reajustes frequentes.
Para quem depende do carro para trabalhar, mesmo pequenos aumentos são sentidos no orçamento. O motorista de aplicativo Gabriel Campos, 26 anos, de Planaltina, compartilha que busca postos com desconto para economizar, pois gasta cerca de R$ 3 mil por mês com combustível. Quando consegue abastecer mais barato, reduz esse custo para aproximadamente R$ 2.600 a R$ 2.700, o que representa uma economia significativa no fim do mês.
Gabriel Campos acompanha com preocupação o desenrolar do conflito, pois sabe que os preços tendem a subir. Ele explica que o aumento no diesel impacta todo o transporte e, consequentemente, eleva os preços em geral, afetando especialmente quem depende do carro para trabalhar.
