IGOR GIELOW
FOLHAPRESS
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã tem, por trás da guerra, um motivo geopolítico importante: aumentar a pressão sobre a economia da China. Isso acontece porque o conflito afeta o mercado de petróleo, especialmente o fornecimento para Pequim.
No terceiro dia da guerra, a China tentou agir. O chanceler Wang Yi conversou com o iraniano Abbas Araghchi e ofereceu apoio, e também falou com o ministro de Omã, Badr al-Busaidi. Ele pediu que os países do Golfo Pérsico se unam contra influências externas na região, mesmo com ataques recentes com mísseis e drones que já atingiram a área inclusive em Omã.
A crise coloca a China em uma situação difícil: cerca de metade do petróleo que o país consome vem de países árabes do Golfo, principalmente da Arábia Saudita. Depois, vem a Rússia, que vende petróleo com desconto por causa das sanções na Europa após a guerra na Ucrânia, e a Malásia, que legaliza o petróleo iraniano para a China.
Em 2025, cerca de 13,4% do petróleo que a China comprou veio do Irã, que produz grande parte do seu petróleo para essa venda. Um ponto crítico é o Estreito de Hormuz, por onde passa uma quinta parte do petróleo mundial. A região está quase fechada para navios por causa do medo de ataques, com vários petroleiros já atingidos por drones iranianos.
A China fez estoques extras de petróleo russo e iraniano antes da guerra, mas logo suas reservas poderão acabar. Além disso, o preço do petróleo está subindo, chegando perto de US$ 80 por barril, um valor alto que impacta os custos.
Isso tudo é essencial para a China, já que 37% do seu PIB vem da indústria, que depende muito da exportação. Essa guerra faz parte de uma disputa econômica global, que aumentou desde 2017, quando o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou uma guerra tarifária para conter o crescimento econômico da China.
Para a China, essa pressão pelo petróleo é mais perigosa do que as tarifas de comércio, porque o país depende muito da energia para manter sua economia em crescimento. A China já enfrentou dificuldades com sanções às petroleiras russas e monitoramento dos navios que levam petróleo para o país.
Além disso, recentemente, a China perdeu controle sobre as exportações de petróleo da Venezuela, país cujo governo está sob pressão dos EUA, que controlam os negócios com o petróleo venezuelano.
Por outro lado, os EUA estão menos expostos a essa crise energética, porque sua economia depende mais de serviços e o país é o maior produtor mundial de petróleo, investindo em novas tecnologias para aumentar a produção, chegando a níveis recordes.
Fonte dos preços do barril Brent em US$:
30.jan.2025 – 77
1.ago.2025 – 70
1.nov.2025 – 60
2.mar.2026 – 77
Fonte: Trading Economics

