GABRIEL GAMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Casa dos Ventos está planejando lançar novos projetos de energia eólica no Brasil, que juntos somarão 1,5 GW (gigawatt), com início das operações previsto para o final de 2028. A empresa também está considerando expandir suas atividades em áreas menos afetadas pela redução na geração de energia, como o Rio Grande do Sul.
Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, afirma que a empresa mantém um ritmo forte de investimentos, mesmo diante do cenário desafiador nacional, onde várias empresas de energia renovável estão suspendendo seus aportes.
A maior parte da nova capacidade instalada deverá ficar na Bahia, com o restante distribuído por outros estados, segundo Araripe.
Atualmente, a Casa dos Ventos possui 4,3 GW em operação comercial e está finalizando dois complexos solares em Mato Grosso do Sul: Seriemas e Rio Brilhante. Também planeja construir usinas que somarão mais 2,1 GW, incluindo duas eólicas, no Piauí e Ceará, e uma solar em Mato Grosso do Sul.
Araripe projeta que a empresa alcançará 6,4 GW de capacidade instalada até o início de 2028, e chegará a 11 GW até 2030.
Segundo o executivo, isso coloca a Casa dos Ventos na liderança entre as empresas especialistas em energia solar e eólica, e no caminho para se tornar a maior plataforma exclusivamente renovável do Brasil.
A TotalEnergies possui 34% da empresa, o que contribui para um custo de captação de dívida mais competitivo para a Casa dos Ventos.
Araripe destaca que essa parceria traz vantagens competitivas e ajuda a empresa a ser proativa no mercado para gerar demanda e crescer continuamente.
Um dos focos da estratégia da Casa dos Ventos são os data centers. Em maio, fechou acordo com a Omnia, do Patria Investimentos, para fornecer energia para o data center da ByteDance, dona do TikTok, no Ceará. A empresa também busca novas parcerias com outras companhias de tecnologia.
A empresa reconhece que sofre impactos devido ao excesso de fontes renováveis no país, especialmente com a instalação crescente de painéis solares residenciais, o que causa instabilidade na rede. Isso força o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a reduzir a geração de energia em certos momentos, o chamado curtailment.
A Casa dos Ventos informa que tem cortes entre 8% e 10% na geração, abaixo da média do setor, que é cerca de 15%.
Araripe afirma que sua empresa tem sido menos afetada e que utiliza essas informações para guiar futuros investimentos. Ele menciona que projeta investir no Rio Grande do Sul por ter menos curtailment do que regiões como o Nordeste.
O executivo comenta que os cortes deveriam ser distribuídos entre mais agentes para reduzir impactos e espera que a regulação trate melhor essa questão no futuro.
O ONS divulgou uma projeção indicando que os cortes devem diminuir até 2030, mas continuarão elevados, podendo chegar a restrições de até 40 GW nos anos de 2027 a 2030 em certos horários do dia.
O uso de baterias para armazenar energia é uma das soluções apontadas para aliviar o problema, e o governo federal realizará o primeiro leilão de baterias em dezembro.
Araripe diz que a Casa dos Ventos possui cerca de 1 GW em projetos que podem participar do certame e ainda avalia a quantidade de energia que irá ofertar.
Ele cita que o custo do leilão de capacidade foi muito alto, valor que poderia ser menor se fosse utilizado o armazenamento por baterias, com menor impacto ambiental.
Um relatório de sustentabilidade lançado em junho revelou que as operações da Casa dos Ventos evitam a emissão anual de 4,5 milhões de toneladas de CO2, o equivalente à poluição climática da cidade de Belo Horizonte neste ano.
No mesmo relatório, a empresa informou ter investido R$ 40 milhões em 2025 em projetos de preservação ambiental, incluindo estudos e monitoramento de fauna e flora. Também destinou R$ 10 milhões para ações sociais, como qualificação profissional de comunidades locais, tudo com investimento privado sem incentivos.
