A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15 da CMS) será realizada no Brasil, entre os dias 23 e 29 de março de 2026, na cidade de Campo Grande (MS). Pela primeira vez, o Brasil vai presidir o evento, que terá como líder o João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Participarão representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e membros da sociedade civil de mais de 133 países que fazem parte da CMS. Durante a conferência, os participantes irão discutir os desafios e as soluções para proteger os animais migratórios, seus habitats e as rotas que eles usam para se deslocar, com o objetivo de conservar a biodiversidade.
Animais migratórios são aqueles que viajam entre diferentes países ao longo de suas vidas, buscando alimento, água ou áreas para reprodução. Existem cerca de 1.189 espécies migratórias no mundo, incluindo aves, mamíferos, peixes e répteis, e muitas dessas espécies passam pelo Brasil, como o albatroz-de-nariz-amarelo.
Esses animais são muito importantes para equilibrar os ecossistemas, a economia e a cultura, pois ajudam na polinização, dispersão de sementes e indicam a saúde do meio ambiente. No entanto, enfrentam ameaças graves, como a destruição de seus habitats, que afeta 75% dessas espécies, e a exploração excessiva, que impacta 70%. A expansão da agricultura e barragens em rios são exemplos de problemas que prejudicam esses animais.
A CMS, criada em 1979 pela ONU, é o único acordo mundial dedicado a proteger essas espécies e conta com 132 países e a União Europeia como membros. O Brasil aderiu ao acordo em 2015. A COP, que ocorre a cada três anos, é o principal momento para atualizar as listas de espécies protegidas, aprovar ações conjuntas e definir orçamentos para a conservação.
Com o tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida“, a COP15 irá analisar propostas para mudar as listas de proteção, avaliar ações pelas quais já passaram, propor novas medidas colaborativas, revisar relatórios nacionais e documentos relacionados. Espera-se que sejam firmados compromissos políticos importantes para proteger as rotas migratórias e incentivar acordos entre países.

