Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Brasil

Brasil tem 8,4 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, mais da metade no Nordeste

Fotos: Tony Oliveira/ Agência Brasília

ISABELA PALHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Nos últimos dez anos, o Brasil tem reduzido o número de pessoas acima de 15 anos que não sabem ler e escrever, mas ainda existem 8,4 milhões de analfabetos em 2025. A maior parte dessa população (57,4%) vive no Nordeste.

Esses dados foram divulgados pelo IBGE através da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) nesta sexta-feira (19).

Em 2025, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais caiu para 4,9%, primeira vez abaixo de 5%. Em 2016, o índice era de 6,7%, o que correspondia a mais de 10,6 milhões de pessoas.

Publicidade

Em comparação a 2024, houve uma queda de 0,4 ponto percentual, com uma redução aproximada de 592 mil pessoas analfabetas.

No Nordeste, 4,8 milhões de pessoas são analfabetas, número maior que toda a população do Amazonas, que é pouco mais de 4,1 milhões.

Embora o Nordeste tenha cerca de 26,5% da população brasileira, concentra mais da metade dos analfabetos.

O estudo considera analfabetos aqueles que não conseguem ler ou escrever um bilhete simples. A meta do Plano Nacional de Educação era eliminar o analfabetismo nessa faixa etária até o final de 2024.

Após o Nordeste, a região Sudeste tem o maior número de analfabetos (20,4%), seguida pelo Sul (14,8%), Norte (8,2%) e Centro-Oeste (7,9%).

De acordo com William Kratochwill, pesquisador do IBGE, todas as unidades federativas, exceto o Amapá, reduziram a taxa de analfabetismo, sendo que Alagoas e Piauí, no Nordeste, ainda apresentam os maiores índices.

Este problema afeta principalmente pessoas mais velhas devido às dificuldades de acesso à educação no passado.

A taxa de analfabetismo para população acima de 60 anos é de 13,8%, ainda alta, mas menor do que os 20,5% de 2016. Essa faixa representa 58% dos analfabetos, ou seja, 4,8 milhões de pessoas.

Em 2025, pela primeira vez, a taxa entre mulheres com mais de 60 anos (13,7%) ficou abaixo da taxa entre homens dessa faixa (14,1%). Kratochwill destaca que isso mostra avanços na escolarização feminina e uma possível redução das desigualdades educacionais do passado.

Apesar da diminuição da desigualdade entre gêneros, a disparidade racial persiste fortemente. A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas com mais de 60 anos é quase três vezes maior que entre pessoas brancas da mesma idade, evidenciando exclusão educacional histórica.

Embora haja um grande número de adultos não alfabetizados, a oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem diminuído, chegando ao menor número de matrículas desde 1996.

A Constituição exige que a EJA seja oferecida, mas denúncias apontam para a redução dessa modalidade em diversos estados e municípios, onde turmas são concentradas em poucas escolas, dificultando o acesso.

Nível de Instrução

A pesquisa também mostra avanços na escolaridade da população adulta. A porcentagem de pessoas com 25 anos ou mais que completaram o ensino médio chegou a 57,4% em 2025, contra 46% em 2015.

Entre as mulheres, 59,4% completaram ao menos o ensino médio, enquanto entre os homens, o índice é de 55,2%.

Entretanto, a desigualdade racial permanece na escolaridade: 64,9% das pessoas brancas concluíram a educação básica, contra 51,3% das pessoas pretas ou pardas, uma diferença de 13,6 pontos percentuais, que era de 16,4 em 2016.

Apesar disso, é a primeira vez que mais da metade da população preta e parda completa a educação básica.

Anos de Estudo

Em 2025, a média de anos de estudo de pessoas com 25 anos ou mais foi de 10,2 anos, um aumento em relação aos 9,1 anos de 2016.

Mulheres têm maior escolaridade média (10,4 anos) que homens (10 anos). Pessoas brancas estudam em média 11,1 anos, enquanto pessoas pretas ou pardas têm 9,5 anos, uma diferença de 1,4 anos.

Esse progresso também refletiu no ensino superior: a proporção de brasileiros com 25 anos ou mais que completaram a graduação subiu de 15,4% em 2016 para 21,4% em 2025.

Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.