A bolsa brasileira parou as negociações após uma queda abrupta na segunda-feira (26). O presidente Lula venceu o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, o que desapontou muitos investidores que esperavam vitória oposta. Como resultado, o dólar e os juros no mercado financeiro também subiram rapidamente.
A bolsa reabriu por volta das 10h45 e, às 11h25, o índice Ibovespa mostrava uma queda de 17%, atingindo 169.893 pontos, seu nível mais baixo desde junho deste ano. No momento de maior queda, a desvalorização chegou a 17,34%.
No mesmo horário, o dólar subiu 10,26%, cotado a R$ 5,498. Durante o dia, chegou a aumentar 12,37%, alcançando R$ 5,604, valor visto pela última vez em dezembro de 2025.
Também houve aumento nas taxas de juros futuras. Às 11h25, a taxa DI para janeiro de 2027 subiu para 13,774%, alta de 0,30 pontos percentuais, e a taxa para janeiro de 2031 subiu 3,07 pontos percentuais, atingindo 15,720%.
Devido à alta dos juros, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação (IPCA+). Quando os juros sobem, os investidores exigem maior remuneração para comprar títulos novos, o que pode aumentar o custo da dívida pública.
O risco Brasil, que indica a confiança dos investidores no país, aumentou 22% até as 11h50, mostrando maior preocupação com a capacidade do Brasil de pagar suas dívidas, o que pode dificultar a captação de recursos internacionais.
O movimento atual reverte a valorização após o primeiro turno, quando o mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro e em um ajuste fiscal mais rígido. Depois dessa primeira eleição, a bolsa subiu 7,7% e o dólar caiu 4,11%, sua maior queda diária desde 2018.
Em 2025, a bolsa e o real beneficiaram-se da diversificação das carteiras globais, mas isso mudou na segunda-feira. Entre os poucos papéis que subiram, estão os de empresas exportadoras que têm receitas em dólar, como Suzano (8,73%), Vale (5,62%), Embraer, WEG, Bradespar e Klabin.
Mudança de cenário
Para os investidores, a reeleição de Lula gera incertezas quanto a medidas para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal eleva o risco e pressiona a alta nas taxas de juros, aumentando o custo do crédito para empresas e reduzindo as chances de lucro, o que pesa negativamente na bolsa.
Instituições financeiras também demonstram preocupação. O banco JP Morgan rebaixou sua recomendação para o real e títulos nacionais após a vitória de Lula. Analistas do banco indicam que esse resultado inesperado pode levar a uma reavaliação importante dos ativos, destacando incertezas sobre o novo governo e a reação do mercado.
O BTG Pactual prevê venda forte de ações brasileiras nas próximas semanas e que o índice Ibovespa poderia cair rapidamente até 170 mil pontos. O dólar pode se desvalorizar entre 10% e 15%. Além disso, altas taxas de juros e moeda fraca podem fazer o Banco Central evitar cortes agressivos de juros no curto prazo.
A estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, afirma que a queda forte da bolsa reflete o aumento do receio entre os investidores depois da eleição. O acionamento do circuito limitador visa evitar quedas ainda maiores. Ela explica que os investidores buscam proteção no dólar enquanto esperam sinais claros sobre as futuras políticas econômicas e fiscais.
O especialista Daniel Teles, da Valor Investimentos, diz que a reeleição de Lula gera temores fiscais, com provável continuidade de gastos altos, crédito subsidiado e políticas populistas. Isso pode levar à alta dos juros e afetar negativamente o varejo, enquanto empresas com receitas em dólar tendem a se sair melhor.
Uma pesquisa do Citibank com gestores de fundos mostrou que 80% esperavam queda acima de 5% no Ibovespa após a eleição, enquanto 63% projetavam desvalorização do real maior que 5%. No entanto, os analistas dizem que o futuro do dólar e da bolsa dependerá das medidas fiscais adotadas pelo novo governo e que pode haver reversão das expectativas iniciais.


