A recente queda acentuada no mercado de ações brasileiro pede calma dos investidores, afirmam especialistas do setor financeiro.
Os especialistas recomendam aguardar os próximos anúncios sobre a taxa de juros, acompanhar os resultados das empresas no terceiro trimestre e considerar o perfil individual de investimento antes de tomar decisões precipitadas. Vender ações de forma impulsiva pode não ser a melhor estratégia neste momento.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destaca que a oscilação recente não indica uma queda contínua no mercado.
Ele explica que o índice Ibovespa voltou aos níveis anteriores ao período de especulação eleitoral, quando o mercado subiu rapidamente após o primeiro turno com liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT). Esse movimento foi considerado artificial, e agora está se normalizando.
Decisões mais importantes sobre ajustes na carteira devem ser tomadas após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para quarta-feira, dia 4. As previsões apontam para juros futuros mais altos, o que pode afetar setores sensíveis a essa variação.
Setores como varejo e construção civil precisam de cuidado, pois sofrem mais com juros altos e restrições de crédito. Por outro lado, o setor bancário, mesmo tendo sofrido quedas recentemente, tem potencial de recuperação.
Gustavo Bertotti, analista da Fami Capital, indica que investidores podem focar em empresas com receitas estáveis e grande atuação internacional, como bancos, exportadoras como Suzano, Embraer, Weg e Vale, além de seguradoras e companhias de telefonia, menos afetadas por ciclos econômicos.
Ele enfatiza que é essencial que cada investidor avalie seus próprios ativos e perfil para decidir o que manter, vender ou comprar durante a temporada de resultados corporativos.
Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, ressalta que reagir com prudência às quedas recentes pode trazer ganhos futuros. Historicamente, após grandes quedas, o retorno médio dos meses seguintes tende a ser positivo.
Além disso, ele aponta boas oportunidades de investimentos estrangeiros em áreas como infraestrutura energética, saneamento básico e concessões rodoviárias e ferroviárias, destacando o interesse crescente de investidores internacionais no Brasil.

