TAMARA NASSIF E GUILHERME W. ALMEIDA
FOLHAPRESS
O Banco do Brasil afirmou em juízo que não retirou R$ 422 milhões da conta da Casas Bahia e acusou a empresa de agir de má-fé. Na última segunda-feira (24), a Casas Bahia usou a suposta retirada desse valor para pedir urgência à Justiça, alegando risco de perda de dinheiro durante a recuperação judicial.
Segundo a lei, má-fé processual acontece quando uma das partes mente ou apresenta algo que não é verdade comprovada.
O Banco do Brasil declarou que, entre os dias 21 e 24 de agosto de 2026, não houve nenhum débito ou tentativa de débito referente aos valores pagos como fiança pelo banco. Eles afirmam que os eventos descritos pela Casas Bahia não correspondem à realidade.
O banco não comentou o caso além da resposta oficial. A reportagem tentou contato com a Casas Bahia, mas não obteve retorno.
A Casas Bahia entrou com um pedido na Justiça alegando que uma retirada rápida dos recursos disponíveis poderia atrapalhar o processo de recuperação judicial da empresa. Segundo a varejista, o Banco do Brasil garantiu dívidas junto a fornecedores e depois debitou esses valores da conta da empresa na sexta-feira (21).
Os advogados da Casas Bahia afirmam que o banco teria usado essa operação para cobrar um valor que deveria estar protegido durante a recuperação judicial.
Na petição, a empresa mostrou uma imagem de tela exibindo débitos futuros de R$ 422 milhões datados de 21 de agosto. Já o Banco do Brasil mostrou extratos recentes, afirmando que houve apenas uma tentativa de débito no dia 25, que foi estornada por falta de saldo, sem prejuízo financeiro para a empresa.
O banco pediu que a Justiça rejeite o pedido da varejista, afirmando que nenhuma quantia foi efetivamente retirada da conta.
Na resposta, o Banco do Brasil declarou que a Casas Bahia agiu de má-fé por apresentar a petição três dias após ter acesso ao extrato completo, que mostrava que não havia débito.
Segundo o banco, a empresa afirmou na Justiça que o banco havia retirado mais de R$ 422 milhões, usando isso para justificar um pedido urgente. O banco disse que isso não pode ser tratado como um erro simples, já que a Casas Bahia tinha acesso às informações corretas.
O Banco do Brasil afirmou que tais ações configuram litigância de má-fé, segundo o Código de Processo Civil, por alterar a verdade dos fatos.
