O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, vão decidir hoje sobre as taxas de juros de seus países, em meio à preocupação com os impactos econômicos da guerra no Irã.
Atualmente, a taxa Selic, que é a principal taxa de juros do Brasil, está em 15% ao ano. Já nos EUA, a taxa referência está entre 3,5% e 3,75%. Em janeiro, ambos os bancos centrais optaram por não alterar essas taxas. A nova decisão será divulgada ao final do dia.
Este momento é chamado de superquarta, e as expectativas no mercado financeiro estão divididas. Uma pesquisa feita pela Bloomberg com 30 especialistas mostra que 19 acreditam que a Selic será reduzida em 0,25 ponto percentual, 10 esperam uma queda de 0,5 ponto, e um analista aposta que a taxa permanecerá em 15%.
Antes do conflito no Irã se intensificar, a maioria esperava uma queda maior, de 0,5 ponto.
Nesta semana, o Tesouro Nacional do Brasil fez a maior intervenção em mais de dez anos no mercado de títulos, com leilões que somaram R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias.
Essa ação tem como objetivo diminuir a instabilidade nas taxas de juros, que influenciam as expectativas para a taxa Selic no futuro.
No entanto, é incomum o Tesouro atuar dessa forma justamente na semana em que a decisão sobre os juros será tomada, pois isso pode ser interpretado como uma tentativa do governo de controlar os juros artificialmente, já que a recompra dos títulos pode reduzir a variação das taxas.
A curva de juros é utilizada como referência para as expectativas do mercado sobre a Selic. Taxas mais altas podem sugerir menos chance de corte da Selic pelo Banco Central, contrariando o desejo atual do governo.
O conflito no Oriente Médio também tem alterado as previsões dos bancos centrais, principalmente pelo risco de aumento no preço do petróleo, que está acima de US$ 100 por barril desde a última quinta-feira (12). Isso pode pressionar a inflação, que é um dos principais fatores considerados nas decisões sobre juros.
O mercado acredita que o Fed manterá as taxas de juros inalteradas até julho, apesar da pressão do presidente Donald Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell. O escolhido por Trump para substituir Powell, Kevin Warsh, ainda precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA, o que pode acontecer em maio.
As chances de o Fed manter os juros na reunião de hoje são de 99,2%, conforme a ferramenta FedWatch.
Sobre o Copom, a maior mudança veio da XP, que agora acredita que a Selic continuará em 15%, prevendo que o comitê adotará uma postura mais cuidadosa.
Segundo nota da XP assinada pelo economista-chefe Caio Megale, “Os dados e notícias recentes indicam uma piora no cenário da inflação desde a última reunião do Copom”.
