19.5 C
Brasília
quinta-feira, 05/02/2026

Amputações por câncer no pênis somam quase 3 mil em 5 anos

Brasília
chuva fraca
19.5 ° C
19.5 °
19.5 °
99 %
0.1kmh
100 %
sex
24 °
sáb
26 °
dom
23 °
seg
23 °
ter
18 °

Em Brasília

VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

Entre 2021 e 2025, foram feitas 2.949 amputações no pênis e registradas 2.359 mortes no Brasil devido ao câncer nesse órgão. Esses dados são da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), baseados em informações do Ministério da Saúde.

“Mesmo sendo uma doença que pode ser prevenida, o câncer no pênis ainda causa mutilações que poderiam ser evitadas todos os anos no país, principalmente por falta de conhecimento, preconceito e diagnóstico tardio”, explica Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.

Os estados com maior número de amputações foram São Paulo (547), Minas Gerais (476), Paraná (207), Rio Grande do Sul (204) e Maranhão (179). Já os estados com mais mortes foram São Paulo (399), Bahia (205), Minas Gerais (220), Pernambuco (119) e Pará (128). A maior população nesses estados também contribui para o número elevado de casos.

Além disso, estados como São Paulo e Minas Gerais contam com uma estrutura de saúde melhor, facilitando o diagnóstico e o tratamento, o que pode explicar a quantidade maior de casos notificados.

Fernandes acrescenta que “a falta de informação faz com que muitos homens só busquem ajuda médica quando o câncer já está avançado, o que acaba exigindo cirurgias que mutilam e prejudicam a qualidade de vida”.

O câncer no pênis é mais comum em homens com mais de 50 anos. Os primeiros sinais incluem feridas que não cicatrizam no pênis, sangramento, secreção com mau cheiro, pele da glande com alteração na cor ou aspecto, e o surgimento de caroços na região da virilha.

Fatores que aumentam o risco incluem higiene íntima inadequada, fimose, infecção pelo vírus HPV e tabagismo.

Se não for diagnosticado cedo, o câncer pode exigir a amputação parcial ou total do pênis, conforme o tamanho da lesão. Em casos avançados, a doença pode se espalhar para a virilha e o abdômen.

Fernando Korkes, coordenador da SBU, comenta: “O acesso limitado ao sistema de saúde e o atraso na busca por atendimento geram diagnósticos tardios, o que pode levar à morte”.

Especialistas alertam que pessoas com condições socioeconômicas mais baixas têm maior risco. “Este tipo de câncer é raro em países desenvolvidos”, afirma Fernandes.

Mortes por câncer no pênis são mais frequentes nas regiões Norte e Nordeste, segundo Korkes.

A prevenção inclui lavar diariamente o pênis com água e sabão, puxando o prepúcio para limpar o esmegma, uma secreção que se acumula nessa região, inclusive após as relações sexuais. A correção cirúrgica da fimose (postectomia) e o uso de preservativos também são recomendados.

A vacina contra o HPV é outra forma importante de prevenção. Ela está disponível gratuitamente para crianças de 9 a 14 anos, para imunossuprimidos até 45 anos e para usuários de PrEP entre 15 e 45 anos.

No final de 2025, o Ministério da Saúde prorrogou a campanha de vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados na idade certa. A campanha vai até o primeiro semestre de 2026.

Este artigo é parte do projeto Saúde Pública, que recebe apoio da Umane, uma associação civil dedicada a ajudar iniciativas na área da saúde.

Veja Também