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segunda-feira, 16/03/2026




Aliados de Flávio rejeitam liberais para Economia

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CAROLINA LINHARES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, anunciou que em breve revelará seu nome para ministro da Economia caso vença as eleições, mas enfrenta resistências dentro de seus aliados sobre possíveis escolhas ligadas ao mercado.

Estão na lista de nomes considerados aqueles que têm colaborado com Flávio e sua equipe no desenvolvimento do programa de governo, incluindo Roberto Campos Neto, Mansueto Almeida, Gustavo Montezano, Daniella Marques e o ex-ministro Paulo Guedes, figura próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Integrantes da ala ligada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro demonstram insatisfação com a possibilidade de nomear um liberal conectado ao sistema financeiro e ao centrão.

Campos Neto é ex-presidente do Banco Central e atualmente chefe global de Políticas Públicas do Nubank, além de colunista da Folha. Daniella Marques foi presidente da Caixa e colaboradora próxima de Guedes. Montezano atuou como presidente do BNDES e Mansueto Almeida é economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional.

Fontes ligadas a Eduardo afirmam que a chamada Faria Lima busca colocar alguém de sua confiança no ministério da Economia.

A ala ideológica de Flávio prefere que o ministro seja um político próximo e fiel ao senador, com uma agenda contrária ao governo Lula, enquanto técnicos poderiam ocupar posições secundárias.

Como exemplo, mencionam Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, que critica decisões do STF e o governo Lula, e defende a anistia para condenados por ações golpistas.

Sachsida é um dos nomes consultados sobre políticas econômicas por Flávio, conforme informou a pré-campanha.

Outra parte dos aliados prefere um nome reconhecido e confiável para agradar o mercado e a política, uma visão alinhada à direção do PL.

Argumentam que Bolsonaro e Lula governaram para seus públicos específicos, e que Flávio deve buscar ampliar seu alcance. Escolher alguém no perfil de Paulo Guedes pode ser um diferencial na disputa.

No fim de fevereiro, Flávio afirmou que pretende apresentar um nome que agrade ao mercado financeiro, com foco em equilíbrio fiscal.

Políticos ouvidos afirmam que a escolha será respeitada internamente e que Flávio valoriza ouvir diferentes opiniões.

Aliados destacam que Flávio mantém boa relação com os radicais da ala ideológica, mas sua campanha tende a moderar o discurso para conquistar eleitores centristas, incluindo um gesto ao mercado, que inicialmente se mostrou reticente.

O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que um governo Flávio pretende revisar as reformas da Previdência e trabalhista.

O programa oficial será lançado em 30 de março, com planos para economia, educação, segurança hídrica e terras indígenas.

Marinho elogiou Campos Neto, que, no entanto, comunicou que não pretende retornar a cargos públicos.

Na avaliação da pré-campanha, a atenção ao ajuste fiscal valoriza nomes como Mansueto Almeida, com a proposta de nova regra fiscal.

“Precisamos redefinir os parâmetros fiscais, porque os atuais são insuficientes. A política fiscal expansionista é uma das causas da taxa de juros alta no Brasil”, afirmou Marinho, sem dar detalhes.




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