O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a reserva gerada pela alta da taxa Selic no passado permitiu que a autoridade monetária desse início ao ajuste dos juros básicos. Segundo Galípolo, mesmo com novos acontecimentos no cenário mundial, como o conflito no Oriente Médio, a tendência é continuar com esse processo de ajustes.
Galípolo explicou que essa ‘folga’, acumulada por uma postura mais cautelosa nas últimas reuniões do Copom, possibilitou que o Banco Central seguisse com a trajetória de reduções graduais, sem grandes mudanças, apesar dos fatores externos.
Ele comparou a condução da política monetária a um grande navio de carga, em vez de um jet-ski, destacando que o BC evita movimentos abruptos. A governança colegiada do Banco Central também contribui para decisões mais equilibradas e cuidadosas.
Análise dos riscos
Durante o mesmo evento, Galípolo mencionou que o Copom discutiu a possibilidade de alterações no balanço de riscos para a inflação devido a questões geopolíticas recentes, mas decidiu esperar 45 dias antes de fazer mudanças significativas.
Ele ressaltou que o Banco Central tem absorvido gradativamente os impactos para evitar volatilidade excessiva na economia. A expectativa inicial é de crescimento econômico reduzido e inflação elevada.
Sobre o conflito no Oriente Médio, Galípolo afirmou que o Brasil pode ter vantagens por ser um exportador líquido de petróleo e por ter juros relativamente altos em comparação a outros países.
Produtividade
Galípolo destacou a importância de discutir a produtividade do trabalho no Brasil. Ele explicou que o crescimento recente do país tem sido impulsionado principalmente pelo aumento do uso da força de trabalho e não por ganhos de produtividade.
É necessário buscar políticas que tornem o Brasil mais atraente para investimentos, o que ajudaria a melhorar a produtividade e fortalecer a economia.
Ele também comentou que pressões de demanda e ganhos salariais acima da produtividade podem levar a inflação maior, o que exigiria aumento dos juros para controlar a economia.
O presidente do Banco Central lembrou ainda que o Brasil não conseguiu se integrar bem às cadeias globais de valor nos últimos anos, o que, em momentos de choques externos, pode trazer impactos menores ao país.

