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Aéreas disparam até 9% e IRB salta 6%; Vale e siderúrgicas caem com minério

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Confira os principais destaques de ações desta quinta-feira

Bolsa: mercado volta a pesar rumores de Brasília (Germano Lüders/Exame)

As ações da IRB Brasil (IRBR3) disparam 5,99% e aparecem entre as maiores altas do Ibovespa na manhã desta quinta-feira, 28. No radar da empresa, um grupo de investidores brasileiros se reuniu para tentar alavancar os papéis da resseguradora por meio de uma compra coletiva, inspirados pelo que aconteceu com as ações da varejista de jogos americana GameStop. A ação no Brasil está sendo organizada por meio de grupos em redes sociais chamada de “Short Squeeze IRB”. No grupo do telegram, que usa esse nome,  já conta com 6.977 membros.

Aéreas

Também entre as maiores altas do índice, aparecem as ações das aéreas, com Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) avançando 8,59% e 6,46%, respectivamente. Os papéis da empresa de turismo CVC Brasil (CVCB3) e da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3) também sobem hoje, 3,50% e 2,83%.

O movimento acompanha o bom humor dos papéis das aéreas no exterior. As ações da American Airlines sobem mais de 40% no pré-market das Bolsas americanas, após reportar balanço melhor do que o esperado no quarto trimestre. A companhia registrou prejuízo de 3,86 dólares por ação, menor do que as projeções do mercado que apontavam perdas de 4,11 dólares por ação. A receita líquida também ficou acima das estimativas.

Vale e siderúrgicas

As ações da Vale (VALE3) e siderúrgicas voltam a cair, seguindo o dia negativo para os preços do minério de ferro.

Os futuros da commodity negociados na bolsa de Dalian, na China, para entrega em maio, fecharam em queda de 4,8%, a 986 iuanes (152,14 dólares) por tonelada.

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Economia

Câmara pode votar MP que ampliou margem do crédito consignado para aposentados

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Deputados também poderão analisar propostas como o novo marco legal do gás e o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos

Empréstimo consignado: editada pelo governo em outubro, a MP 1006/20 aumentou o limite de 35% para 40% do valor do benefício (DircinhaSW/Getty Images)

A Câmara dos Deputados pode votar na terça-feira (2) a Medida Provisória 1006/20, que ampliou a margem de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS. A MP é um dos itens da sessão do Plenário marcada para as 15 horas.

Editada pelo governo em outubro, a MP 1006/20 aumentou o limite de 35% para 40% do valor do benefício. A  medida valeu para empréstimos concedidos até o dia 31 de dezembro de 2020.

Com a medida, o governo buscou aumentar a oferta de crédito na economia em razão da pandemia de covid-19, beneficiando o consumo de final de ano.

Dinheiro para vacinas

Também consta da pauta a MP 1004/20, que libera crédito extraordinário de R$ 2,5 bilhões para o Brasil participar do consórcio Covax Facility. O consórcio é coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e envolve governos, laboratórios e fabricantes com o objetivo de garantir o desenvolvimento e o acesso a vacinas contra a Covid-19 para países de renda baixa e média.

Segundo relatório de acompanhamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, já foram pagos R$ 830,8 milhões até o dia 24 de fevereiro.

Saiba mais sobre a tramitação de medidas provisórias
A adesão do Brasil ao Covax Facility foi tema da MP 1003/20, aprovada pela Câmara dos Deputados em dezembro e que aguarda sanção presidencial. O País deve receber 10,6 milhões de imunizantes provenientes do consórcio no primeiro semestre.

Violência contra a mulher

Assinado pela deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) e mais 15 deputados, o Projeto de Lei 1267/20 prevê a divulgação, pelos meios de comunicação, do número gratuito para denúncias de violência contra a mulher, o Disque 180.

Segundo o substitutivo preliminar da relatora, deputada Flávia Arruda (PL-DF), a divulgação por emissoras de rádio e TV e por provedores de conteúdo de internet não será obrigatória, como constava do texto original, e considerado inconstitucional por ela.

Ao poder público caberá realizar campanhas de conscientização e combate à violência contra a mulher nos meios de comunicação, incluindo a internet, divulgando o número.

Gás natural

Os deputados poderão analisar ainda emendas do Senado Federal ao novo marco regulatório do setor de gás (PL 4476/20), que prevê autorização em vez de concessão para o transporte de gás natural e estocagem em jazidas esgotadas de petróleo.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
O relator do projeto, deputado Laercio Oliveira (PP-SE), recomendou a rejeição de todas as emendas. Algumas delas revertem aspectos centrais, permitindo, por exemplo, que um mesmo grupo econômico atue em todas as etapas do mercado de gás, inclusive com acesso a informações concorrencialmente sensíveis de distribuidoras de gás canalizado.

O projeto foi aprovado pela Câmara em setembro do ano passado, com numeração anterior (PL 6407/13).

Exames pré-natal

Confira outros projetos que estão na pauta da semana:

– PL 2442/20, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e outros, que mantém a validade de pedidos médicos para realização de exames de pré-natal enquanto perdurarem as medidas de isolamento e quarentena para contenção da pandemia;

– PL 5391/20, dos deputados Carlos Jordy (PSL-RJ), Capitão Augusto (PL-SP) e Daniel Silveira (PSL-RJ), que determina a colocação em regime disciplinar diferenciado em presídios federais de condenados por crime de assassinato de policiais ou militares no exercício da função ou em decorrência dela; e

– PL 5638/20, do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), que cria o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) prevendo o parcelamento de débitos de empresas do setor com o Fisco Federal e isenção de alguns impostos por 60 meses.

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Economia

Ibovespa sobe com estabilização de títulos americanos

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Bolsas internacionais se recuperam de perdas da última semana, quando alta dos rendimentos elevaram temores sobre migração para renda fixa e encarecimento de empréstimos

Bolsa (Germano Lüders/Exame)

O Ibovespa sobe nesta segunda-feira, 1, acompanhando o cenário internacional positivo, com a estabilização do mercado de títulos americanos gerando alívio para os investimentos em bolsa. Na última semana, a alta dos rendimentos – provocada pela maior cautela sobre a inflação americana – gerou temores sobre uma migração para a renda fixa no país e aumento de custos de empréstimos.

Refletindo o bom humor externo, o dólar recua contra o real nos primeiros negócios do dia, após fechar acima de 5,60 reais na última semana, com a piora do mercado internacional e riscos de intervenção do governo em estatais elevando a percepção de risco.

Também está no radar dos investidores a aprovação do pacote de 1,9 trilhão de dólares pela Câmara dos Representantes. O projeto ainda precisa do aval do Senado. Embora bastante aguardado pelo mercado, o estímulo trilionário tem figurado entre as principais causas para as projeções de que a inflação americana deve se acelerar.

“Esse é um pacote gigantesco e é muito difícil mensurar a velocidade da inflação. O risco é perder o controle. Estímulos desse tamanho com a taxa de juros onde está é algo sem precedentes na história. Então, é natural uma volatilidade mais forte no mercado”, diz Gustavo Akamine, analista da Constância.

No mercado local, investidores seguem atentos aos desdobramentos de Brasília sobre a PEC Emergencial, que prevê ajustes fiscais e espaço para a renovação do auxílio. Segundo o G1, o tema foi debatido na noite de domingo, 28, em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara e do Senado, além de ministros, tendo entre eles, Paulo Guedes.

 

 

 

 

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Economia

Comércio global começa 2021 em ritmo de recuperação

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Economias emergentes como a China e outros países asiáticos puxaram o crescimento; no Brasil, a expectativa é que a balança comercial chegue ao final de 2021 com superávit recorde

Comércio global_exportações (anucha sirivisansuwan/Getty Images)

O comércio global começou 2021 com o pé direito após a recuperação dos volumes no final do ano passado em relação à queda nos primeiros meses da pandemia, segundo novos dados.

O comércio mundial de mercadorias aumentou 4% no quarto trimestre, após o salto de 11,5% nos três meses anteriores. Com isso, os volumes totais fecharam com queda de 5,3% em 2020 em relação ao ano anterior, segundo relatório publicado pelo Escritório de Análise de Política Econômica dos Países Baixos.

A queda anual foi muito mais leve do que as previsões anteriores de grupos como a Organização Mundial do Comércio, que previa um colapso do comércio internacional de até 32%, o que teria sido equivalente às perdas durante a Grande Depressão.

Economias emergentes como a China e outros países asiáticos puxaram o crescimento do comércio global em 2020, com fortes volumes de importação e exportação, de acordo com o relatório.

Exportações brasileiras antecipam retomada global do comércio

Apesar do déficit de US$ 1,125 bilhão, os números da balança comercial brasileira em janeiro não preocupam o mercado. Somados à chegada das vacinas contra o coronavírus e ao aumento dos preços da soja, minério e petróleo, a expectativa é que o índice chegue ao final de 2021 com um superávit ainda maior que o recorde de 2017, quando a balança ficou positiva em US$ 67 bilhões.

Em janeiro, não só as exportações registraram uma alta de 12,4%, mas também as importações, que cresceram 22% no setor agropecuário, 7,6% na indústria extrativa e 6,5% na indústria de transformação. O movimento reflete a expectativa de reversão da deterioração econômica de 2020.

“As empresas estão investindo de olho na retomada da economia global”, explica o advogado João Alfredo Lopes Nyegray, especialista em negócios Internacionais e coordenador do curso de Comércio Exterior na Universidade Positivo. “Para aproveitar esse momento, a indústria está se preparando para oferecer produtos melhores, ao mesmo tempo que reduz custos de produção. Trazer maquinário e insumos de fora é um grande trunfo nessa equação comercial.”

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Taxa de desemprego recua para 13,9% no trimestre até dezembro, afirma IBGE

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A taxa média de desemprego no ano de 2020 foi de 13,5%, a maior da série iniciada em 2012

Desemprego: em igual período de 2019, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 11,0% (Amanda Perobelli/Reuters)

O Brasil encerrou 2020 apontando para alguma recuperação no mercado de trabalho ao registrar queda da taxa de desemprego no quarto trimestre para 13,9%, mas ainda assim a taxa média do ano passado foi a mais alta em oito anos diante da paralisação por causa da pandemia.

A taxa de desemprego informada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, depois de alcançar 14,6%% no terceiro trimestre o maior patamar na comparação trimestral da série histórica da Pnad Contínua.

“O recuo da taxa no fim do ano é um comportamento sazonal por conta do tradicional aumento das contratações temporárias e aumento das vendas do comércio. É interessante notar que mesmo num ano de pandemia, o mercado de trabalho mostrou essa reação”, destacou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

No entanto, a taxa média de desocupação para o ano de 2020 foi de 13,5%, a maior desde 2012, interrompendo a queda na desocupação iniciada em 2018, quando ficou em 12,3%. Em 2019, o desemprego foi de 11,9%.

De acordo com o IBGE, no intervalo de um ano a população ocupada caiu em 7,3 milhões de pessoas, chegando ao menor número da série anual.

“Saímos da maior população ocupada da série, em 2019, com 93,4 milhões de pessoas, para 86,1 milhões em 2020. Pela primeira vez na série anual, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país”, completou Beringuy, acrescentando que o nível de ocupação em 2020 foi de 49,4%.

O mercado de trabalho brasileiro sofreu com as medidas de restrição à pandemia, e costuma ser o último a se recuperar em tempos de crise. As incertezas agora giram em torno da possibilidade de novo auxílio emergencial às famílias.

“A pandemia provocou um desarranjo no mercado de trabalho informal e formal. Para reagir e recuperar, é preciso ter estímulos. A questão é saber se vai absorver tanta gente”, disse Berenguy. “Temos uma variável relevante que é um ambiente de controle sanitário crítico e decisivo.”

O desemprego permanece em níveis elevados mesmo após o relaxamento das medidas de contenção ao coronavírus permitirem o reorno das pessoas ao mercado de trabalho, e agora enfrenta novo desafio com o aumento do número de mortes no país.

Quarto trimestre

No quarto trimestre, o país contabilizava 13,925 milhões de pessoas desempregadas, um recuo ante 14,092 milhões no terceiro trimestre. No quarto trimestre de 2019 eram 11,632 milhões de desempregados.

Ao mesmo tempo, o total de pessoas ocupadas registrou aumento de 4,5% no quarto trimestre sobre os três meses anteriores, chegando a 86,179 milhões. Mas houve queda de 8,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada eram 29,885 milhões, alta de 1,8% sobre o terceiro trimestre.

Mas o contingente daqueles que não tinham carteira assinada aumentou 10,8% no quarto trimestre sobre os três meses anteriores, a 9,985 milhões.

O resultado do quarto trimestre foi puxado pelo aumento na ocupação em quase todos os grupos de atividades: agricultura (3,4%), indústria (3,1%), construção (5,2%), comércio (5,2%), alojamento e alimentação (6,5%), informação e comunicação (5,8%) outros serviços (5,9%), serviços domésticos (6,7%) e administração pública (2,9%). Apenas transporte ficou estável.

Em 2020, o rendimento médio real dos trabalhadores foi de 2.543 reais, um aumento de 4,7% em relação a 2019, segundo o IBGE.

O Brasil fechou 2020 computando a criação de 142.690 vagas de trabalho com carteira assinada no ano, de acordo com dados d Ministério da Economia. Em dezembro, o país fechou 67.906 vagas formais de trabalho, a menor perda para o mês desde 1995.

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Bancos centrais atuam no mercado de títulos e prometem mais

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Movimento no mercado de títulos coincidiu com o alerta de autoridades do BCE contra o otimismo excessivo do mercado sobre o estado da economia da zona do euro

(Dado Ruvic/Reuters)

Bancos centrais da Ásia à Europa intensificaram medidas para acalmar mercados em pânico depois que os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram para o nível mais alto em um ano. As respostas combinaram compras de dívida e ameaças de intervenção.

O banco central da Austrália anunciou mais de US$ 2 bilhões em compras de títulos não programadas, enquanto a Coreia do Sul planeja comprar títulos nos próximos meses. Isabel Schnabel, do conselho executivo do Banco Central Europeu, disse que mais estímulos podem ser injetados se a alta dos rendimentos afetar o crescimento.

Embora a resposta pareça ter acalmado investidores de títulos, é improvável que elimine uma divisão cada vez maior entre traders e bancos centrais sobre o ritmo da recuperação econômica. Autoridades temem que a chamada aposta da reflação – com base que as políticas de estímulo vão aquecer a economia e elevar os preços e que já afeta todos os mercados – possa atingir países que ainda não se recuperaram do choque do coronavírus.

“Obviamente, vimos algumas compras grandes na Austrália fora de sincronia com seu programa normal. Isso não ajudou muito”, disse Iain Stealey, diretor de investimento internacional de renda fixa global da JPMorgan Asset Management, em entrevista à Bloomberg Television.

O BCE, por exemplo, tem “mais munição, mas, como sabemos, a conversa é bastante vazia”, disse.

Na região da Ásia-Pacífico, o banco central australiano assumiu a liderança na tentativa de segurar os rendimentos, um papel tipicamente desempenhado pelo Banco do Japão. Sua oferta de comprar 3 bilhões de dólares australianos (US$ 2,4 bilhões) em dívida teve como objetivo frear a onda vendedora, e o rendimento dos títulos de três anos da Austrália eliminou os ganhos. Os rendimentos dos Treasuries também recuaram em relação à máxima de 1,61% alcançada na noite de quinta-feira, com a entrada de investidores asiáticos.

O BOJ não atuou, mas o ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, disse que “é importante que os rendimentos não subam e desçam de repente”. No entanto, o presidente da instituição, Haruhiko Kuroda, disse posteriormente que o BOJ não mudará a meta para os rendimentos e que deseja manter a curva de juros do país baixa.

Um aumento dos juros reais de longo prazo nos estágios iniciais da recuperação, mesmo refletindo melhores perspectivas de crescimento, pode retirar o apoio vital das políticas muito cedo e muito abruptamente devido ao estado ainda frágil da economia. As políticas terão então de aumentar o nível de apoio.

Schnabel, que é responsável por operações de mercado do BCE, do qual é conselheira executiva

Há expectativa de que os bancos centrais globais atuem para controlar a alta dos rendimentos, disse Kei Yamazaki, gestor de ativos sênior da Sumitomo Mitsui DS Asset Management, em Tóquio. “As autoridades do Fed têm tolerado o recente aumento dos rendimentos, mas a atual aversão ao risco também fará com que busquem acalmar o mercado verbalmente.”

 

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Economia

Estoque total de crédito fica estável em janeiro no Brasil, diz BC

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Taxa média de juros para famílias no crédito livre, contudo, chegou a 39,4% ao ano, aumento de 2,2 pontos percentuais em relação a dezembro

(crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

O estoque total de crédito no país ficou estável em janeiro de 2021, na comparação com dezembro de 2020, no valor de R$ 4,020 trilhões, o equivalente a 54,1% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país), informou, nesta quinta-feira (25/2), o Banco Central. Quando se compara com os últimos 12 meses, houve elevação de 16%. A carteira de pessoas físicas cresceu 0,6% no mês e 10,9% em 12 meses, para o total de R$ 2,3 trilhões. A de pessoas jurídicas caiu 0,8% no mês, mas cresceu 23,1% nos 12 meses, atingindo R$ 1,8 trilhão.

No entanto, as famílias e as empresas pagaram taxas de juros mais altas no primeiro mês de 2021, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pela autoridade monetária. A taxa média de juros para famílias no crédito livre chegou a 39,4% ao ano, alta de 2,2 pontos percentuais em relação a dezembro de 2020. Para as empresas, cresceu 3,5 pontos percentuais, para 15,2% ao ano.

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, explicou que, no segmento de pessoas físicas, o aumento dos juros foi, em parte, influenciado pelo crédito pessoal não consignado, que teve alta de 10,9 pontos percentuais no mês, para 85,4% ao ano. Tiveram impacto nesse resultado, as concessões de crédito feitas em dezembro pelos bancos estaduais aos servidores público, a taxas reduzidas. “Isso reduz a taxa em dezembro e aumenta em janeiro, quando não tem essa operação específica”, explicou.

Os juros do crédito consignado caíram 0,3 ponto percentual para 18,9% ao ano. A taxa do cheque especial chegou a 119,6% ao ano em janeiro, aumento de quatro pontos percentuais em relação a dezembro de 2020. Os juros médios do rotativo do cartão de crédito também influenciaram a alta dos juros para as famílias. A taxa chegou a 329,3% ao ano, com alta de 1,5 ponto percentual em janeiro.

Já o rotativo regular, quando o cliente paga pelo menos o valor mínimo da fatura, a taxa chegou a 311,7% ao ano, aumento de 9,8 pontos percentuais. O rotativo não regular (dos clientes que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura) caiu 5,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior e chegou a 342,2% ao ano. Importante destacar que o rotativo é aquele crédito que o consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias.

Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida. Nesse caso, no cartão parcelado, a alta foi de 12,6 pontos percentuais, com a taxa de juros ficando em 161,5% ao ano. Fernando Rocha explicou, também, que a alta dos juros também teve como razão o aumento das cobranças pelos bancos.

Pessoas jurídicas

No crédito direcionado, a carteira de pessoas jurídicas atingiu R$ 684 bilhões em janeiro, representando variações negativa de 0,6% no mês e de 23% em 12 meses. O saldo direcionado a pessoas físicas atingiu R$ 1 trilhão, com expansões de 0,9% e 12,1%, nas mesmas bases de comparação, prosseguindo elevações em financiamentos rural e imobiliário.

As concessões totais de crédito somaram R$ 289 bilhões em janeiro. Na série com ajuste sazonal, ocorreu elevação mensal de 1,9%, com acréscimo de 3,5% no crédito às empresas, e redução de 1,2% no crédito às famílias. Na comparação com janeiro de 2020, as concessões totais contraíram 10,4%.

Nas contratações com empresas, a taxa livre foi de 15,2% ao ano em janeiro, com crescimento de 3,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior. De acordo com o BC, o aumento de taxas foi disseminado pelas modalidades, com destaque para capital de giro, que subiu 5,4 pontos percentuais, chegando a 16,5% ao ano; e conta garantida, que teve aumento de 4,2 pontos percentuais, alcançando 34,3% ao ano.

Rocha destacou que, no mês passado, as taxas do capital de giro de curto prazo, importante para empresas, foram “um ponto fora da curva”. Na realidade, houve uma grande redução nas concessões dessa modalidade em dezembro, o que levou a uma piora no perfil de devedores e esse efeito de composição fez aumentar a taxa média de juros.

Inadimplência e saldo

A inadimplência (os atrasos no pagamento das faturas acima de 90 dias) das famílias, no crédito livre, caiu 0,1 ponto percentual, indo para 4,1%. A inadimplência das empresas no crédito livre aumentou 0,2 ponto percentual para 1,6%, informou o Banco Central.

 

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segunda-feira, 1 de março de 2021

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