Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, falou sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome e os avanços no combate à insegurança alimentar durante a 39ª Conferência Regional da FAO na América Latina e Caribe, realizada em Brasília.
Segundo o ministro, o Brasil conseguiu reverter o problema da fome e da pobreza encontrado no início do governo Lula graças à prioridade política dada ao tema. A saída do Brasil do Mapa da Fome foi anunciada em julho do ano passado pela FAO e foi resultado de decisões políticas firmes. Wellington Dias destacou que combater a fome exige mais do que técnica, mas também decisão política, e afirmou que o presidente Lula deu a ordem para que ninguém passe fome no país.
O ministro ressaltou que os avanços vieram por meio de políticas públicas bem estruturadas e baseadas em dados científicos, com monitoramento constante para superar falhas na informação. Ele afirmou que sem diagnóstico preciso, não há políticas eficazes.
Durante o evento, representantes do Chile, Uruguai, Caribe, México, Guiana, Cuba, República Dominicana e Costa Rica dividiram experiências sobre programas eficazes contra a fome e a pobreza adaptados à realidade de cada país.
Na parte da tarde, Wellington Dias se reuniu com o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, para tratar da integração dos esforços da ONU no combate à fome. Ressaltou o papel da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que auxilia países com conhecimento, recursos financeiros e respeito à soberania. Wellington Dias é copresidente dessa iniciativa.
O Brasil também apresentou propostas para o documento final da conferência, defendendo maior resistência dos grupos vulneráveis, acesso à ciência e tecnologia para adaptação às mudanças climáticas e a participação da sociedade nas políticas alimentares da região.
A América Latina e o Caribe registraram avanços nos últimos quatro anos, com queda na fome, na insegurança alimentar e na pobreza, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Esses resultados foram impulsionados pela melhora no emprego, comércio de alimentos e fortalecimento dos sistemas de proteção social, como a alimentação escolar.
Mesmo assim, desafios permanecem: cerca de 33,6 milhões de pessoas passam fome na região, 167,2 milhões enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, e 181,9 milhões não têm condições para uma alimentação saudável. Desigualdades afetam especialmente mulheres e moradores de áreas rurais.
Para Qu Dongyu, as ações devem ser inclusivas, focadas nas pessoas mais pobres, pequenos produtores rurais, povos indígenas, mulheres e vulneráveis. Ele destacou que é possível fazer mais e trabalhar melhor juntos para transformar esses desafios em oportunidades para todos.
A LARC 39 é o principal fórum regional da FAO para definir prioridades e estratégias para 2026-2027 na luta contra a fome e a má nutrição, reunindo ministros e representantes dos países para debater segurança alimentar, agricultura sustentável e cooperação regional.

