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quinta-feira, 05/02/2026

vorcaro participou 17 vezes do bc em 2025 e passou 8 horas em um dia

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Em Brasília

Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, esteve presente 17 vezes no Banco Central (BC) durante o ano de 2025, visitando quatro setores diferentes da instituição. Ele chegou a permanecer dentro do BC por mais de 8 horas em um único dia.

De acordo com documentos obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação, Vorcaro teve encontros com a alta administração do BC, incluindo o presidente Gabriel Galípolo, durante momentos decisivos relacionados à tentativa de restabelecer a liquidez do banco, a oferta de venda do banco para o Banco de Brasília (BRB) e o início do processo de liquidação do banco. Reuniões por videoconferência não foram contabilizadas.

Registros de entrada e saída do BC indicam que Vorcaro passou mais de 34 horas dentro da instituição ao longo de 2025, ano em que as atividades do Banco Master foram oficialmente encerradas.

Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro afirmou que o BC fiscalizou o banco, mas que nunca foi informado sobre o risco de liquidação. Por outro lado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que sua equipe identificou sinais de fraude e rapidamente encaminhou os documentos para o Ministério Público e Polícia Federal.

Vorcaro visitou várias áreas do BC, incluindo o gabinete da presidência, onde Galípolo atua; a Diretoria de Fiscalização; o Departamento de Supervisão Bancária; a Gerência Administrativa em São Paulo; o Comitê de Governança, Riscos e Controles; e o Comitê de Informações Financeiras.

Das 17 visitas, cinco foram para reuniões com Galípolo. No dia 11 de abril, quando Vorcaro permaneceu por mais de três horas com o presidente do BC, o BRB finalizou uma auditoria no Banco Master e retirou R$ 19 bilhões em ativos da negociação original.

No mês seguinte, em 8 de maio, os dois se reuniram por uma hora e dezenove minutos, e o BC decidiu suspender temporariamente o recolhimento compulsório do Banco Master — uma reserva obrigatória que os bancos mantêm junto ao BC.

Galípolo anotou em sua agenda todos os encontros com Vorcaro, porém em 1º e 11 de abril, o tempo que Vorcaro esteve no BC foi o dobro do previsto: 2h42min no primeiro e 3h08min no segundo, contrariando o tempo de 1 hora agendado.

Nesse período, o Banco Master já recebia recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para pagar suas dívidas, e o BC temia que a exposição ao banco pudesse causar problemas para o BRB.

Visita de mais de 8 horas no dia da venda do Banco Voiter

Em uma dessas visitas, no dia 22 de julho, Vorcaro permaneceu por 8 horas e 23 minutos dentro do BC, das 9h54 às 18h18, conforme registros oficiais. Dois dias depois, o BC autorizou a venda do Banco Voiter, parte do grupo do Master, para o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima. Essa venda foi autorizada porque Lima assumiu passivos do Master, reduzindo o custo para o FGC. Contudo, Lima foi posteriormente preso na Operação Compliance Zero.

Antes disso, em fevereiro, durante uma tentativa do Banco Master de melhorar seus índices financeiros conforme determinação do BC, Vorcaro esteve três vezes no BC. Nessa época, o banco já vendia carteiras para o BRB com documentos adulterados, caracterizando possíveis fraudes para a Polícia Federal e o BC.

Em 17 de março, o Banco Master foi oficialmente notificado pelo BC sobre a insuficiência dos documentos nas carteiras vendidas ao BRB.

Após a negativa do BRB em continuar com a operação, em setembro, Vorcaro visitou o BC novamente nos dias 4 e 9. O último encontro registrado entre ele e Ailton de Aquino foi virtual em 17 de novembro.

No mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar deixar o país, horas depois de um anúncio de interesse de compra do banco por um grupo de investidores árabes.

A defesa de Vorcaro alegou que ele não pretendia fugir, pois o BC teria sido informado sobre sua viagem a Dubai para assinar contratos e anunciar o negócio com os investidores.

Em 2 de dezembro, a empresa Fictor, que tentou adquirir o Banco Master, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, alegando uma dívida de R$ 4 bilhões.

Estadão Conteúdo

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